Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo vai muito além de uma data simbólica. A ocasião reforça a importância da informação, do respeito e, principalmente, da garantia de direitos às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
No Brasil, o autismo é reconhecido como deficiência para todos os efeitos legais, conforme a Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Na prática, isso significa que pessoas autistas têm acesso a uma série de direitos fundamentais que visam assegurar dignidade, inclusão e igualdade de oportunidades.
Educação inclusiva é obrigatória
A legislação brasileira garante que nenhuma criança ou adolescente com autismo pode ser impedido de se matricular em escolas regulares, sejam públicas ou privadas.
Além disso, as instituições de ensino devem oferecer suporte adequado, como professores auxiliares e adaptações pedagógicas, quando necessário.
A recusa de matrícula ou a ausência de suporte pode configurar prática ilegal e discriminatória.
Direito à saúde e ao tratamento adequado
O acesso à saúde é outro direito essencial. Pessoas com TEA têm direito ao diagnóstico precoce pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de acesso a terapias multidisciplinares, como Análise do Comportamento Aplicada (ABA), fonoaudiologia e terapia ocupacional.
Planos de saúde também são obrigados a cobrir esses tratamentos, não podendo impor limitações indevidas.
Inclusão no mercado de trabalho e assistência social
A legislação prevê medidas para inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, como cotas em empresas e concursos públicos, além da necessidade de adaptação do ambiente laboral.
Nos casos em que a pessoa autista não possui meios de prover sua subsistência, é possível o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), que garante um salário mínimo mensal, desde que atendidos os requisitos legais.
Atendimento prioritário e proteção contra discriminação
Pessoas com autismo também têm direito ao atendimento prioritário em estabelecimentos públicos e privados, como bancos, hospitais e repartições.
Além disso, qualquer forma de discriminação é proibida por lei, sendo passível de responsabilização.
Apoio às famílias também é essencial
O cuidado com a pessoa autista muitas vezes exige dedicação integral, o que impacta diretamente a rotina familiar. Por isso, políticas públicas e benefícios previdenciários são fundamentais para garantir suporte também aos cuidadores.
Mais informação, menos barreiras
Especialistas destacam que um dos maiores desafios ainda enfrentados não é a ausência de legislação, mas a falta de informação sobre os direitos já existentes.
O autismo não é uma doença, mas uma condição relacionada à neurodiversidade. Nesse contexto, as barreiras enfrentadas por pessoas autistas são, em grande parte, sociais — e podem ser reduzidas com informação, conscientização e cumprimento da lei.
Conscientizar é garantir direitos. Informar é incluir.
Isabella Luz – advogada, com atuação estratégica nas áreas de Direito de Família e direitos das mulheres. Especialista em advocacia feminista, desenvolve um trabalho voltado à proteção, orientação e defesa de mulheres em situações de vulnerabilidade e conflitos familiares.
Também possui pós-graduação em Direito Empresarial, com ênfase em registro de marcas, atuando na assessoria jurídica preventiva e na proteção de ativos intelectuais.
Texto Isabella Luz
