Com participação recorde, oposição conquista maioria absoluta e promete nova era nas relações com a Europa
Em um pleito histórico marcado pela maior participação eleitoral já registrada na Hungria, atingindo a marca de 77,8%, o partido Tisza, liderado por Péter Magyar, conquistou uma vitória avassaladora nas eleições gerais deste domingo (12). O resultado encerra 16 anos de governo ininterrupto do primeiro-ministro Viktor Orbán, que reconheceu a derrota antes mesmo do fim da apuração oficial. Projetos preliminares indicam que o Tisza garantiu maioria absoluta, devendo eleger 138 deputados, contra apenas 54 do Fidesz, partido de Orbán.
Abalado pelo resultado que classificou como “doloroso, mas é inequívoco”, Viktor Orbán discursou garantindo que, apesar da mudança drástica no cenário político, continuará “a servir a pátria, mesmo estando na oposição”. O líder ultranacionalista, que governava com supermaioria desde 2010 e reformulou as instituições húngaras, enfrentou em Magyar, um antigo aliado que rompeu com o governo em 2024, o maior desafio de sua carreira política, capitulando diante de uma oposição unificada.

Discursando para milhares de apoiantes nas ruas de Budapeste, Péter Magyar celebrou o que chamou de “mandato sem precedentes” e declarou o fim de uma era política no país. Em sua fala, Magyar enfatizou a união dos eleitores para a mudança: “Caros compatriotas húngaros, nós conseguimos! O Tisza e a Hungria venceram esta eleição. Não por pouco, mas por muito. Juntos, derrubámos o regime de Orbán, juntos libertámos a Hungria“, afirmou o presidente do Tisza.
A eleição, descrita por analistas como um referendo sobre o governo de Orbán, foi acompanhada com atenção internacional devido às tensões entre Budapeste e a União Europeia, além dos laços de Orbán com Vladimir Putin. Magyar, cujo partido integra o Partido Popular Europeu, prometeu restaurar as relações da Hungria com a UE e a NATO. “A nossa vitória é visível não apenas da lua, mas de todas as janelas da Hungria”, destacou Magyar, celebrando a adesão massiva dos húngaros às urnas.
Com informação EuroNews
