Crise no Oriente Médio encarece barril de petróleo e pressiona custos operacionais das companhias; governo federal estuda medidas de alívio fiscal.
A Petrobras anunciou um reajuste severo no preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com uma alta superior a 50% válida a partir deste mês. O movimento acompanha a escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. Como o combustível representa um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas, especialistas projetam que o valor das passagens possa subir entre 10% e 20%.
O cenário mais provável, segundo consultorias do setor, é um repasse médio de 15% para o consumidor final. Esse aumento deve impactar de forma distinta os diferentes perfis de viajantes: enquanto o setor de negócios costuma ser mais resiliente, as viagens de lazer apresentam maior sensibilidade ao preço. Há, inclusive, o risco de uma retração na demanda na mesma proporção do aumento, o que pode levar as empresas a cortarem rotas menos rentáveis para equilibrar a oferta.
Para tentar mitigar o impacto imediato, a Petrobras adotou uma estratégia de parcelamento. Em abril, as distribuidoras pagarão um reajuste de 18%, enquanto a diferença para os 54% previstos em contrato será diluída em seis parcelas a partir de julho. Apesar de o Brasil produzir mais de 80% do QAV consumido internamente, a política de preços da estatal segue a paridade internacional, o que torna o mercado doméstico vulnerável às oscilações do barril de petróleo, que saltou de US$ 70 para picos acima de US$ 115 desde o início do conflito.
Paralelamente, o Ministério de Portos e Aeroportos apresentou uma proposta ao Ministério da Fazenda para reduzir a pressão financeira sobre as aéreas. O plano inclui a redução temporária de tributos sobre o querosene, além de cortes no IOF e no Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves. A Fazenda informou que monitora o cenário internacional e os impactos na economia brasileira, mas ressaltou que qualquer medida será analisada sob o rigor das regras fiscais vigentes.
Com informações: G1
