Mesmo sem grandes operações, mortes causadas por PMs e policiais civis crescem e superam patamares de anos anteriores; Rota lidera estatísticas.
A letalidade policial no estado de São Paulo registrou um aumento de 41% no primeiro bimestre de 2026, com 130 mortes causadas por agentes civis e militares. O crescimento é impulsionado principalmente pela Baixada Santista, onde o número de vítimas saltou de 6 para 23 casos em comparação ao ano anterior — uma alta de 283%. O cenário atual preocupa especialistas por ocorrer mesmo sem a vigência de grandes operações específicas, como as operações Escudo e Verão, que marcaram os anos anteriores.
O avanço da violência policial contrasta diretamente com a queda nos índices de criminalidade comum. Enquanto as mortes por intervenção sobem, o estado registrou o menor número de homicídios dolosos e roubos para um primeiro bimestre em toda a série histórica. A única exceção nos crimes civis é o feminicídio, que atingiu o maior patamar desde 2018. O governo estadual atribui a letalidade ao enfrentamento intensificado contra organizações criminosas e operações de alta complexidade.
Unidades de elite, como a Rota, estão no centro das estatísticas, com 22 mortes registradas apenas neste início de ano. O uso de câmeras corporais continua sendo um ponto sensível: embora a gestão atual tenha recuado da ideia de extinguir o programa, os novos modelos de equipamentos exigem o acionamento manual pelos próprios policiais. Em investigações anteriores do Ministério Público, agentes foram denunciados por fraudar provas e obstruir as lentes dos equipamentos durante abordagens fatais.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que não compactua com excessos e que todas as mortes decorrentes de intervenção são rigorosamente investigadas pelas corregedorias, Ministério Público e Judiciário. A pasta destacou que, desde 2023, mais de 1.300 policiais foram punidos com expulsão, demissão ou prisão, reforçando o papel de fiscalização das instituições frente aos desvios de conduta.
