“Para o pré-candidato a presidente, Romeu Zema, o problema do Brasil continua sendo o pobre. É assim que ele começa sua pré-campanha: atacando o Bolsa Família, atacando a mixaria de 600 reais.
Zema disse, abre aspas: ‘Marmanjões de 20, 30 anos, o dia todo deitado no sofá, jogando videogame, na rede social. Emprego tem. Eu vou fazer quem recebe Bolsa Família e é do sexo masculino, novo, saudável, ser obrigado a aceitar propostas de emprego. Ou então ter o benefício cortado’. Fecha aspas.
Mas, caro Zema, quem tem PRIVILÉGIOS neste país não é a galera do Bolsa Família.
Privilégio é receber R$ 46 mil de salário, mais 125 mil para contratar assessores, cerca de 44 mil para despesas operacionais… (combustível, aluguel, consultorias, alimentação, passagens aéreas), quase 5 mil reais de auxílio-moradia, acesso ao departamento médico da Câmara e reembolso de despesas médicas.
E tem mais: a tal da Imunidade Parlamentar, aquela ‘proteção especial’.
E os benefícios militares? Dados de 2023 mostram uma realidade assustadora: para cada general da ativa, existem 24 aposentados ou na reserva e mais 48 herdeiros recebendo pensões integrais.
Esse último grupo consumiu, sozinho, R$ 94 bilhões nos últimos quatro anos, segundo levantamento do UOL. Isso é mais da metade de todo o orçamento previsto para o SUS em 2023! O Exército contesta e fala em 53 bilhões.
E o problema é a MIXARIA QUE O POBRE RECEBE?
Sim, para Zema, o problema é o pobre. E o pior: alguns pobres compram esse discurso. O discurso de que quem recebe Bolsa Família é vagabundo.
Isso é resultado do adestramento que as classes dominantes sempre fizeram no Brasil. Elas levam o pobre a acreditar que não trabalha o suficiente, que produz pouco e ganha muito. E que, quando recebe alguma migalha do Estado, é porque é preguiçoso.
Mas as elites? Ah, as elites podem tudo. Elas recebem privilégios porque ‘merecem’.
No fim das contas, Romeu Zema é só mais um moralista, reacionário, ‘degustador de banana com casca’, defensor do enfraquecimento da classe trabalhadora e da manutenção do status quo de sua galera.
Essa sim, mama nas tetas do Estado. O pobre não.“
