Autor: Edir Veiga
Professor e pesquisador em ciência política focado em competição eleitoral, relações executivo legislativo, decisão do voto, reforma política. Sou MSc e Dr. pós-graduado pela Universidade Cândido Mendes, através do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro-IUPERJ.
Assisti o discurso de Trump ontem: pareceu um discurso nacionalista, do período 1950/60. Dirigido em grande parte à indústria fordista e aos desalentados trabalhadores americanos que viram seus empregos migrarem para China e Índia. Vi um discurso dirigido aos americanos brancos e louros e patriarcalista, defendendo valores anti diversos. Anunciando fim das políticas de inclusão das minorias. Vi um discurso de viés ideológico denunciando uma crise nos EUA, num momento em que Biden deixa uma herança de baixo desemprego, a menor desde Roosevelt na década de 1940. Vi discurso da velha política hegemonista e unilateralista, que vigorou até o fim…
No final do primeiro quinto do século XXI assistimos os municípios brasileiros sem a capacidade de financiar iniciativas estruturantes no espaço local, como: implantar, renovar e estender aspectos importantes do saneamento básico (rede de esgoto pluviométrico, de água servida, de esgoto sanitário). Implantação de escolas públicas de tempo integral, construção de habitação popular, Indução do desenvolvimento industrial local, construção de equipamento logístico (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, pontes, portos, viadutos), enfim, o município, efetivamente vive na pobreza orçamentária atávica. Muitos estudiosos como José Murilo de Carvalho denomina o Estado brasileiro como macrocefálico, expresso na metáfora assim descrita: tem uma enorme cabeça…
Desde a supreendente vitória de Trump 1, em 2016 nos Estados Unidos, passando pela vitória de Bolsonaro no Brasil em 2018, do crescimento da extrema-direita na França e Alemanha, até a vitória recente de Trump 2 em 2024, parece claro que o sistema político do mundo democrático ocidental vem sinalizando que algo diferente está ocorrendo com o sistemático realinhamento eleitoral pela extrema-direita que vem se desenhando há pelo menos 08 anos. Governos sucessivos e alternados da direita e esquerda moderada vêm sendo reprovados pelo eleitorado que assiste sua condição de vida, congelado ou em retroação continuadas, quando o poder executivo…
1-Há muito os partidos de esquerda têm perdido espaço nos poderes executivo e legislativo na região norte do Brasil. Para entender este fato, que se agravou com as eleições de 2024, há que se comentar sobre quatro hipóteses com poderes explicativos, quais são: a miséria orçamentária municipal, a baixa capilaridade municipal da esquerda, novas regras para competição proporcional e o poder dos deputados federais e senadores, a partir do orçamento impositivo e das emendas pix. 2-Desde os o império, passando pela República Velha, grandes autores, em especial Vitor Nunes Leal em “Coronelismo, Enxada e Voto”, vem demonstrando que a miséria…
Estão publicando pesquisas super divergentes. Números diametralmente opostos. Parece que o objetivo é desacreditá-las. Tirando uma média das pesquisas, hoje visualizamos: Igor e Eder empatados no primeiro lugar na margem de erro e Ed50 e Jefferson Lima empatados no segundo lugar na margem de erro. Os demais candidatos estão bem atrás. Creio que após dez dias de campanha no Rádio e TV poderemos ter indícios de quem, de fato, está crescendo. No dia da eleição, a verdade revelará os institutos que tem compromisso com a verdade democrática.
Nos primeiros três dias no palanque eletrônico, Igor centra fogo contra Ed50. Eder Mauro, diferente do que muita gente pensava, critica a gestão de Ed50 pela política e mostra moderação. Thiago Araujo se apresenta como metralhadora giratória contra Ed50, Igor e Eder Mauro. Parece que Igor quer polarizar com Ed50 para levá-lo ao segundo turno, seria o candidato ideal para derrotar tendo em conta a alta rejeição de Ed50. Ed50 deve centrar sua campanha no palanque eletrônico buscando prestar contas de seu mandato no contexto da pandemia e do governo Bolsonaro (2021/22). Jefferson Lima corre atrás de seu nicho de…
Recentemente o Brasil conviveu com um governo atípico, porque antipolítico, antidemocrático, antissocial e anti-humano. Foi o governo Bolsonaro que atuou contra todas as teorias de marketing político e marketing de governo corrente, obteve sucesso eleitoral e, mesmo num contexto de pandemia, crise social, crise econômica e destruição de direitos trabalhistas, chegou nas eleições com praticamente 50% do eleitorado. Percepção tradicional deste fenômeno político chamado bolsonarismo ou extrema direita brasileira dominante. Tenho lido muitas análises que se conformam em achar que o bolsonarismo é coisa passageira, que basta fazer um governo exitoso e esta extrema direita seria reduzida a 10% enquanto…
No Brasil temos eleições alternadas a cada dois anos entre disputas estaduais e disputas municipais. Nestas eleições são intensas as alternâncias de governos. Nas disputas municipais temos enormes alternâncias de governos devido à carência estrutural de recursos orçamentárias que todas as cidades brasileiras sofrem. As maiores cidades, especialmente capitais e aquelas com mais de 300 mil habitantes têm mais orçamentos porém, têm mais problemas a enfrentar devido enormes questões a enfrentar como saneamento, habitação, aparato de saúde, educação, segurança e meio ambiente etc. As menores cidades, aquelas entre 50 e 200 mil habitantes dispõe de baixa receita orçamentária e portanto,…
