O acidente com o Césio-137 em Goiânia, conhecido como Césio 137 de Goiânia, foi um dos maiores desastres radioativos do Brasil e um dos mais graves do mundo fora de usinas nucleares. Ocorreu em setembro de 1987, quando uma cápsula contendo cloreto de césio-137 foi encontrada por catadores em um prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia.
O que aconteceu?
1. Origem do material: A cápsula radioativa fazia parte de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada.
2. Encontro e manipulação: Dois catadores de lixo, Devair Alves Ferreira e Roberto dos Santos, encontraram o equipamento e o venderam a um ferro-velho.
3. Disseminação do material: O dono do ferro-velho, Devair, abriu a cápsula e vazou o pó azul brilhante (Césio-137), que chamou a atenção de várias pessoas, que o levaram para casa, espalhando a contaminação.
4. Contaminação em massa: Muitas pessoas tiveram contato direto com o material, sofrendo queimaduras, náuseas e outros sintomas de radiação aguda.
Consequências
– 4 mortes confirmadas (incluindo uma criança de 6 anos, Leide das Neves).
– Centenas de pessoas contaminadas (cerca de 249, das quais 129 apresentaram contaminação significativa).
– Descontaminação complexa: Várias casas foram demolidas, e toneladas de lixo radioativo foram armazenadas em Abadia de Goiás.
– Impacto social e econômico: Muitas vítimas sofreram discriminação e problemas de saúde a longo prazo.
Legado
– O acidente levou a regulamentações mais rígidas para o uso de materiais radioativos no Brasil.
– A data 13 de setembro é lembrada como o Dia do Radioacidente em Goiás.
– O local do acidente é hoje o Parque Estadual Telma Ortegal, onde o material foi isolado.
O caso é frequentemente comparado a Chernobyl (1986) e Fukushima (2011) em termos de gravidade, embora em escala menor.