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    Ditadura nunca mais: 64 não é um marco para democracia

    Taciano CassimiroTaciano Cassimiro1 de abril de 2021 PORTAL DA HISTÓRIA
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    Ditadura nunca mais: 64 não é um marco para democracia
    Estudante é preso pela polícia durante a chamada sexta-feira sangrenta, no Centro do Rio, em 21 de junho de 1968 Foto: Acervo da Globo
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    A Ordem do Exército, tornada pública no dia 30 de março alusiva aos eventos de 1964, há exatos 57 anos, é no mínimo uma vergonha e tentativa de mascarar o episódio, de passar pano em um período negro da história política do Brasil.

    O exército diz “O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. O Brasil reagiu com determinação às ameaças que se formavam àquela época.” Assinada pelo WALTER SOUZA BRAGA NETTO Ministro de Estado da Defesa.

    O país de fato vivia um período confuso e turbulento, Jânio Quadros, do PTN (Partido Trabalhista Nacional), inexpressivo, sem base partidária, era o presidente do Brasil, em 1961. Jânio se apresentou como renovação política, sua campanha – Vassoura – símbolo de campanha (“varrer a corrupção”) – prometia acabar com a corrupção. Jânio, teatral e contraditório, que proibia brigas de galo e uso de biquíni, renunciou com sete (07) meses de mandato.

    Depois de longa batalha, Jango, o João Goulart, assume a nação como presidente, com os poderes de presidente, pois da renúncia em 1961 de Jânio, instalasse o sistema parlamentarista com Tancredo Neves de 1961-1962, Brochado da Rocha 1962 e Hermes Lima de 1962-1963, em 1963 em plebiscito o presidencialismo vence, e Jango agora é o presidente sem a figura do primeiro-ministro.

    Em 1964 o Brasil enfrentava diversas crises, Goulart governava sob forte pressão dos militares, investimento americano para neutralizá-lo, instituições como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) atuando eleitoralmente para desestabilizar Goulart, e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes) com apoio de militares, empresários e jornalistas juntos disseminando o discurso do anticomunismo.

    Goulart apresenta as reformas de base agrária, urbana, política e educacional, que desagrada poderosos e a classe dominante.

    Em 13 de março de 1964, o Comício da Central do Brasil provocou forte reação nos setores mais conservadores e contribuiu para a derrubada de João Goulart.

    Em 19 de março, em São Paulo, foi organizada a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com o objetivo de mobilizar a opinião pública contra Jango.

    31/03/1964: Golpe Militar derruba o presidente e institui a ditadura no país, que cassou mandatos legislativos, suspendeu direitos políticos, jornalistas presos e executados, como Vladimir Herzog, assinado nos porões da ditadura, forjaram uma cena com direito a fotos para dizer que o jornalista havia se suicidado. O caso do deputado Rubens Paiva, morto há 50 anos, cujo corpo foi ocultado. Corrupção grassou nessa época, e aqui vem a pergunta – quem vai investigar aquele que detém o poder das armas e das chaves das cadeias?

    O Exército ainda em sua Ordem do Dia disse “Os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas, interrompendo a escalada conflitiva, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964“.

    Ainda que houvesse descontentes na sociedade em relação a Goulart, ninguém pediu, ninguém queria ditadura. Igreja Católica não pediu, políticos que apoiaram a queda de Jango também não, como Lacerda e JK, traídos pelos militares, pois tiveram seus mandatos cassados. Ninguém pediu o fechamentos das entidades estudantis e demolição da sede da UBES e da UNE. Ninguém pediu fechamento do congresso e suspensão de habeas corpus, pessoas proibidas de se reunir, em clubes, sindicatos, até nos próprios lares. Sem contar atos terroristas praticados por militares para colocarem culpa nos comunistas. É fato que houve reação violenta, não endosso, embora tenha sido ela uma resposta ao golpe sofrido. Lembre-se o golpe fora dado sem reações dos tais comunistas, e Jango para não ver irmãos matando irmãos não resistiu, e se exilou no Uruguai (No dia 2 de abril, apesar de Jango ainda se encontrar em território nacional, o Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência da República, entregando o cargo de chefe da nação novamente ao presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli.[195] No dia 10 de abril, João Goulart teve seus direitos políticos cassados por 10 anos, após a publicação do Ato Institucional Número Um,AI-1, em abril/2013 o Congresso anulou a sessão de 02/abril/64, que destituiu o Presidente João Goulart”).

    O estudante Edson Luis, 17 anos, saiu de Belém (PA) e só queria cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Filho de lavadeira, ele fazia bicos de faxina para se manter e comia no restaurante universitário Calabouços, morto pela PM. Benedito Dutra também levou um tiro da polícia militar. Levado até a Assembleia Legislativa pelos colegas, que temiam que os policiais sumissem com os corpos.

    Fatos são inúmeros provam e comprovam que 64 foi golpe, pois o que de fato os militares mostraram é que queriam o poder, e com ele em mãos mergulharam o país nas trevas da perseguição, mortes e desaparecimentos.

    Os fatos de 1964 deveriam ser resolvidos com democracia, de forma política, e o golpe mostra que Goulart não tinha o exército em sua mão, então como daria golpe sem apoio das forças armadas? O mandato já estava caminhando para o fim, mas o golpe sempre foi o caminho escolhidos pelos salvadores da pátria e o vilão, o pretexto para golpes sempre fora os comunistas, em 1937, em 1964 e 2016.

    1964 não é um marco para democracia, ditadura nunca mais, e que os problemas de ideologias partidárias, os problemas políticos, econômicos e outros, sejam resolvidos na e com a democracia.

    Ditadura nunca mais!

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    Taciano Cassimiro
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    Jornalista (MTE 3190/PA) e bacharel em Teologia. Possui pós-graduações em História do Brasil, Direito Político e Eleitoral, Jornalismo Político, História da América, Ciência Política, Relações Internacionais e Comunicação em Crises Internacionais, além de um MBA Executivo em Gestão Estratégica de Publicidade e Propaganda. Atualmente, é pós-graduando em Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. É membro do Sindicato dos Jornalistas do Pará (SINJOR) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Alagoano de Maceió, adota o Pará como lar e divide sua paixão pelo futebol entre o CSA, Vasco da Gama e Paysandu.

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