Relações simultâneas com Israel, Rússia e Irã levantam dúvidas sobre a política externa de Viktor Orbán
A Hungria, liderada por Viktor Orbán, teria oferecido apoio ao Irã após um ataque israelense em setembro de 2024 que destruiu milhares de pagers ligados ao Hezbollah no Líbano. A informação veio à tona por meio de uma transcrição de ligação entre o chanceler húngaro Peter Szijjártó e o iraniano Abbas Araghchi. Segundo o diálogo, a Hungria compartilhou informações de inteligência com Teerã, embora tenha negado qualquer envolvimento direto no ataque.
O episódio gerou preocupações internacionais, especialmente pelo momento de tensão entre Estados Unidos e Irã. Apesar da aproximação com Teerã, Orbán mantém apoio declarado a Israel e já demonstrou alinhamento com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, inclusive ao retirar a Hungria do Tribunal Penal Internacional. Essa postura ambígua levanta questionamentos sobre a coerência da política externa húngara.
A situação se complica ainda mais com o contexto eleitoral interno, no qual Orbán enfrenta o opositor Peter Magyar, enquanto recebe apoio da Casa Branca, reforçado pela visita do vice-presidente JD Vance. Paralelamente, denúncias de proximidade com a Rússia, incluindo contatos com Sergei Lavrov, aumentam as críticas sobre possíveis contradições estratégicas nas alianças internacionais da Hungria.
