Levantamento do FNCP aponta que perdas com pirataria e contrabando equivalem a 3,75% do PIB nacional.
O Brasil enfrenta um desafio invisível, mas de proporções bilionárias, que drena os recursos da economia formal e compromete o desenvolvimento nacional. Segundo o levantamento mais recente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o mercado ilícito quebrou todos os recordes em 2025, gerando um prejuízo astronômico de R$ 473,2 bilhões. Esse montante, que engloba o contrabando, a pirataria e a falsificação, não representa apenas uma perda para as empresas, mas uma lacuna gigantesca nos cofres públicos e na segurança da população.
Para se ter uma dimensão da gravidade, o valor perdido para a ilegalidade já equivale a cerca de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Enquanto setores estratégicos como vestuário, bebidas e combustíveis tentam se recuperar de oscilações econômicas, as redes criminosas que operam à margem da lei expandem seus domínios, alimentando a concorrência desleal e o crime organizado. Mais do que números em uma planilha, esses dados refletem bilhões de reais em impostos que deixam de ser investidos em saúde, educação e infraestrutura, evidenciando que o “preço baixo” do mercado ilegal custa muito caro para o futuro do país.
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Prejuízo Total em 2025: O mercado ilegal (contrabando, falsificação e pirataria) atingiu o valor recorde de R$ 473,2 bilhões.
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Composição das Perdas:
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R$ 326,3 bilhões: Perdas diretas sofridas pela indústria/setores produtivos.
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R$ 146,8 bilhões: Evasão fiscal (impostos que o governo deixou de arrecadar).
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Crescimento Histórico: Nos últimos cinco anos (desde 2020, quando o prejuízo era de R$ 288 bilhões), houve um salto de 64%, um aumento superior a R$ 185 bilhões.
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Impacto Macroeconômico: O montante movimentado pela ilegalidade representa cerca de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
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Setores Mais Afetados (Top 5):
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Vestuário: R$ 87,3 bilhões em perdas.
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Bebidas Alcoólicas: R$ 83,2 bilhões.
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Combustíveis: R$ 29 bilhões.
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Material Esportivo: R$ 23,3 bilhões.
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Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos: R$ 21 bilhões.
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Outros Setores Relevantes:
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Defensivos agrícolas: R$ 20,6 bilhões.
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Ouro: R$ 12,7 bilhões.
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TV por assinatura: R$ 12,1 bilhões.
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Óculos: R$ 11,4 bilhões.
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Cigarros: R$ 10,5 bilhões.
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Contexto: O levantamento foi realizado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e abrange 15 setores da economia. Segundo a entidade, além do dano econômico, o fortalecimento do mercado ilegal financia diretamente as estruturas do crime organizado no país.