Mesmo com unidade dos Bombeiros a apenas 6 minutos do local, atendimento a Thawanna Salmázio excedeu em 10 minutos a meta de emergência da própria corporação.
Um caso de violência policial na Zona Leste de São Paulo ganha contornos de omissão de socorro. Thawanna Salmázio, de 31 anos, morta após ser baleada no peito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira, aguardou exatamente 31 minutos pela chegada da ambulância. O tempo de resposta ignora a meta de 20 minutos estabelecida pela Polícia Militar e ocorre em um horário (madrugada) de baixo fluxo de veículos.
Cronologia da Omissão:
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02h59: O disparo é efetuado após uma discussão iniciada porque a viatura atingiu o marido da vítima com o retrovisor.
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03h00: O pedido de resgate é feito via Copom.
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03h16: Policiais no local reiteram a urgência ao perceberem que a vítima “estava ficando branca”.
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03h30: A ambulância chega ao local, totalizando meia hora de espera.
Bases de Bombeiros a poucos minutos O levantamento aponta que a base mais próxima, em Cidade Tiradentes, está a apenas 6 minutos de distância. Uma segunda unidade, em Guaianases, fica a 13 minutos. O atraso no socorro ocorreu mesmo com o acionamento imediato por parte dos agentes presentes.
Investigação e Conduta Imagens de câmeras corporais registraram o momento em que os policiais tentam alinhar versões, com o soldado Weden Silva sugerindo à colega: “Seria interessante achar uma câmera que mostra ela te dando tapa na cara”. A soldado Yasmin, por ser novata, não utilizava câmera no momento.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou o afastamento dos policiais e informou que o Departamento de Homicídios (DHPP) e o Corpo de Bombeiros investigam tanto a dinâmica do disparo quanto a demora no socorro. Thawanna chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
