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    2022:O PT E O CONFRONTO COM O BOLSONARISMO.

    Edir VeigaEdir Veiga25 de maio de 2022 POLÍTICA
    2022:O PT E O CONFRONTO COM O BOLSONARISMO.
    Foto: Reprodução
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    Vou analisar a estratégia do PT e da candidatura Lula visando enfrentar e  derrotar a extrema direita bolsonarista nas eleições de 2022 no Brasil.

    Devemos deixar explícito que todos os partidos se estruturam política e ideologicamente através de seu programa político, sua doutrina estratégica e seus valores éticos e morais. O PT, em particular, tem como paradigma filosófico, o socialismo democrático. Entretanto, numa disputa presidencial polarizada com uma extrema direita anti-democrática, a candidatura Lula deverá ser mais ampla do que os seus limites programáticos e doutrinários.

    O PT, se quiser construir uma coalizão eleitoral capaz de potencializar, nas esferas subnacionais e nacional, uma frente em defesa do Estado democrático de direito, capaz de derrotar o bolsonarismo e construir governabilidade congressual no pós eleição, através de uma coalizão  de governo, nas arenas executiva e legislativa, deve ser grande, para atrair parceiros, sinceramente comprometidos com a democracia.

    Isto posto, passo a caracterizar os elementos centrais da conjuntura política, econômica, social e ideológica, combinada com o desenho  do sistema político brasileiro no contexto institucional do sistema eleitoral proporcional de lista aberta.

    Vivemos num contexto sócio econômico caracterizado pela inflação atingindo dois dígitos tracionada pelo aumento consistente e sistemático da alta dos derivados do petróleo (gás, gasolina e óleo diesel), e que potencializam os aumentos de preços de proteínas animal e dos custos de insumos agrícolas como o preço dos fertilizantes, no quadro da guerra na Ucrânia, com sérias repercussões econômicas na Europa, nos EUA e nos demais continentes.

    Esta situação sócio econômica tem rebatimento direto no cenário político pré-eleitoral  brasileiro. Neste momento, o péssimo desempenho da economia brasileira vem sendo o responsável pela grande rejeição que o presidente Bolsonaro vem acumulando ao longo dos últimos 12 meses frente à 55 a 60% da população brasileira. Estes vêm  reafirmando, em seguidas pesquisas eleitorais, que não querem reeleger Bolsonaro de jeito nenhum em outubro de 2022.

    Do ponto de vista do bloco de poder representado pelo presidente Bolsonaro, existe a clara expectativa de uma bem executada estratégia ideológica, política e que sustentada na máquina do governo federal, poderia reverter esta rejeição em curso, nas diversas regiões do Brasil, em especial no sul, sudeste e nordeste.

    Para tal, se combinaria a consolidação da base eleitoral expressa no seguinte movimentos: de um lado,  trazer o debate de valores e costumes tradicionais para consolidar a base religiosa dentre os evangélicos e conservadores do catolicismo e do espiritismo, de outro lado, aprofundar políticas clientelísticas, através de programas sociais dirigidos aos mais pobres; para uma parcela do funcionalismo federal e em direção às bases dos deputados dos partidos conservadores para atingir os rincões do norte, nordeste e centro-oeste, através de emendas parlamentares, convênios federais e distribuição descentralizadas de cargos e funções do governo federal, em base estadual e municipal.

    Ora, o presidencialismo de coalizão brasileiro exige amplas coalizões eleitorais e de governo para garantir governabilidade política e congressual e como tal, Bolsonaro vem trabalhando muito bem, com as regras do jogo político e suas consequências com a disponibilidade da máquina federal, através dos poderes discricionários do presidente da república brasileiro.

    A tendência é Bolsonaro e Lula ampliarem a polarização política e eleitoral, tendo como consequência direta, quanto mais se aproximar o mês do pleito eleitoral, a anemia eleitoral dos demais candidatos presidenciais se ampliar, potencializando a decisão das eleições presidenciais no primeiro turno.

    A estratégia da candidatura Bolsonaro parece cristalina aos olhos de alguns analistas políticos, a eleição só se consolida quando o voto é depositado nas urnas, e até o dia 02 de outubro muita “água vai rolar por debaixo da ponte”. Ou seja, podemos indicar tendências visualizadas hoje, mas que não sabemos se se manterão até outubro.  Uma vez que, podem   emergir variáveis intervenientes que podem mudar o curso da disputa presidencial, com ocorreu em 2018, com a “facada “ em Bolsonaro e com a “cassação” de Lula, baseada no lawfare.

    Frente à estratégia da candidatura Bolsonaro, como antevisto anteriormente e com o uso da poderosa máquina federal para fortalecer as estratégias da extrema direita golpista; como o PT e a candidatura Lula devem se mover para neutralizar a estratégia bolsonarista em curso e garantir  a vantagem, nas intenções de votos, que as pesquisas, dos últimos doze meses apontam?

    Todos os movimentos do presidente Bolsonaro, demonstram de forma consistente, que este não aceitará nenhum resultado eleitoral que signifique sua derrota. Para tal vem alimentando há meses um discurso eleitoral que busca deslegitimar o Tribunal Superior Eleitoral-TSE e a urna eletrônica.

    Bolsonaro tenta, a todo momento, trazer as forças armadas para arena judiciária como corregedores da justiça eleitoral. Neste momento só os ministros do TSE vêm enfrentando o discurso do presidente golpista. O congresso nacional e a sociedade civil organizada e os meios de comunicação de massa, vem tendo um comportamento no mínimo, tímido.

    Portanto, a candidatura Lula, em sua estratégia eleitoral deve transcender o limite do PT, da esquerda e do centro. Sim, a candidatura Lula deve entender que nesta eleição terá uma dupla missão estratégica, derrotar Bolsonaro e o golpe de Estado, que vem sendo sistematicamente sendo anunciado por Bolsonaro e seu entourage.

    A candidatura Lula deve lutar para comandar uma frente nacional de todos os democratas deste país, passando por todos os partidos, inclusive da direita democrática, de empresariado de todos os setores e das classes trabalhadores de todas as matizes ideológicas. A missão seria terminar com esta disputa, ainda no primeiro turno das eleições de 2022, ou vencer um eventual segundo turno, com uma margem ampla de votos, de pelo menos 60% do eleitorado.

    Ao mesmo tempo que este movimento em defesa da democracia e do Estado de direito democrático deveria ser acampado por todos os grandes grupos de comunicação de massa. Esta é uma eleição em que todos os defensores da democracia deveriam ir para as ruas conquistar votos contra a extrema direita golpista.

    O governo resultante de uma possível vitória da candidatura Lula, como representante de uma frente de salvação nacional da democracia, deveria ter uma ampla coalizão de governo, cuja missão seria cumprir um programa emergencial de combate à crise econômica em suas múltiplas dimensões, enfrentar o desemprego, desdolarizar os derivados do petróleo, garantir que a produção agropecuária, atenda primeiramente o mercado interno e somente o excedente seria exportado, e outras medidas estruturantes para que o Brasil retome seus crescimento econômico e derrote a inflação, os juros altos e a exclusão social e mande os golpistas para o limbo da história.

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    Edir Veiga
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    Professor e pesquisador em ciência política focado em competição eleitoral, relações executivo legislativo, decisão do voto, reforma política. Sou MSc e Dr. pós-graduado pela Universidade Cândido Mendes, através do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro-IUPERJ.

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