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    Audiência pública reúne produtores para debate sobre pulverização aérea dos chamados defensivos agrícolas

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV4 de junho de 2024 ALEPA EM FOCO
    Audiência pública reúne produtores para debate sobre pulverização aérea dos chamados defensivos agrícolas
    A Audiência Pública, realizada pela Comissão de Agricultura, Terras, Indústria, Comércio e Serviços (Catic), foi pedida pela Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa). Crédito: Balthazar Costa (AID/ALEPA)
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    Os representantes do setor agropecuário voltaram à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) na segunda-feira (3) para dar continuidade aos debates sobre o uso de pulverização aérea de agrotóxicos. A Audiência Pública, realizada pela Comissão de Agricultura, Terras, Indústria, Comércio e Serviços (Catic), foi pedida pela Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), como aconteceu no início do mês com a reunião realizada na comissão.
    • O presidente da comissão, deputado Fábio Freitas, destacou que “o Parlamento deve acompanhar debates como esse e ter informações técnicas confiáveis para defender os interesses da população e do setor produtivo”.

    “Essa é uma discussão fundamental, sabemos a importância e a necessidade dos chamados defensivos agrícolas, e que em uma produção em grande escala não é possível abrir mão do uso de aviação agrícola para pulverização dos insumos nas áreas plantadas, desde que seja feito de forma responsável, sem causar nenhum dano às pessoas e ao meio ambiente”, avaliou o deputado Torrinho Torres. Segundo ele, “é preciso intensificar o trabalho de orientação e de fiscalização sobre o uso de forma viável e segura para nossos produtores rurais”, concluiu.

    Audiência pública reúne produtores para debate sobre pulverização aérea dos chamados defensivos agrícolas
    Deputado Torrinho Torres (MDB). Crédito: Balthazar Costa (AID/ALEPA)
    O diretor do Sindicato Nacional da Aviação Agrícola (Sindag), Divaldo Maciel, afirmou que o setor busca se qualificar para atender ao que a produção agrícola necessita. Ele apresentou dados de uma pesquisa feita pela Conab, em 2019, que aponta o aumento de 24% do uso de terras para produção agrícola no Brasil em 30 anos. Nesse mesmo período, a produção de alimentos teve um aumento de 360%. Nos últimos dez anos, a frota de aviões de uso aéro-agrícola no país cresceu em 50%.

    Segundo Divaldo Maciel, sem os avanços nas técnicas de combate a pragas, o País não teria um desenvolvimento tão grande no setor.

    Para desmitificar a pulverização agrícola de agrotóxicos, ele apontou os benefícios para a produção: a aplicação aérea é 75 vezes mais rápida; a técnica é mais sustentável porque utiliza oito vezes menos água; abrange grandes extensões de terra; e garante mais segurança às plantações, pois não transporta doenças entre as lavouras e tem uma capacidade de resposta mais rápida em situações de urgência no combate às pragas.

    “Queremos fiscalização e conscientização sobre o uso das técnicas, porque temos confiança nos nossos processos, baseados em uma ampla legislação. Quem trabalha dentro da lei e de maneira correta não teme fiscalização”, garantiu.

    “Queremos defender nosso direito de produzir”, afirmou Cristina Malcher, produtora rural e coordenadora da Comissão Estadual das Mulheres do Agro, da Faepa. Ela apontou as perdas previstas em diversas culturas agrícolas, sem o combate às pragas e doenças nas plantações: 43% de perda na produção de milho; 22% na soja; 25% no cacau; 60% na pimenta-do-reino; 35% na mandioca; e 100% de perda nas plantações de banana-branca.

    “Os defensivos agrícolas são remédios para curar as doenças nas plantações”, defendeu ela.

    Normatização e fiscalização
    Wagner Xavier, chefe da fiscalização do Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa), e Rafael Haber, gerente de defesa vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), apresentaram as ações que os dois órgãos realizam em todo o território paraense para garantir o cumprimento da legislação que regulamenta o uso de aviação agrícola para a pulverização de agrotóxicos.

    “A Adepará possui hoje 20 gerências regionais, que constantemente recebem denúncias. Essa capilaridade é importante para garantir a fiscalização dessas atividades”, explicou Rafael Haber.

    “O Mapa também tem como atribuição atender as denúncias de produtores e comunidades afetadas, para evitar danos à saúde e ao meio ambiente e garantir alimentos seguros para a população. Mas o desafio é o tamanho do estado e o número reduzido de servidores para realizar essa fiscalização”, avaliou Wagner Xavier.

    Novas leis

    Após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a constitucionalidade da Lei aprovada no Ceará, a decisão assegura a competência que os estados têm para legislar sobre essa pauta. O fim da aplicação de agrotóxicos por meio de aeronaves — também conhecida como pulverização aérea — está em discussão em dez estados brasileiros.

    No Pará, a tramitação de dois Projetos de Lei que pediam a proibição do uso de aviões e drones para a aplicação de agrotóxicos e de um Projeto de Lei que defendia a continuidade da pulverização aérea foi suspensa. Todas as proposições foram arquivadas e apenas a proposta de manter a atividade foi encaminhada ao Poder Executivo como Indicativo de Lei, para apreciação do Governo.

    “Nossa intenção em defender a aplicação aérea é pela necessidade de manter o setor produtivo forte, pois é um dos mais importantes para a economia do Estado”, explica o deputado Aveílton Souza, autor do Indicativo e presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio. “Precisamos que o Governo do Estado encaminhe essa proposição para o Legislativo apreciar e votar, para termos segurança jurídica e a regulamentação da atividade em nosso Estado”, destacou.

    Audiência pública reúne produtores para debate sobre pulverização aérea dos chamados defensivos agrícolas
    Crédito: Balthazar Costa (AID/ALEPA)
    Representatividade

    A audiência pública reuniu representantes de associações rurais e produtores agrícolas de vários municípios paraenses, além de profissionais que atuam no agronegócio.

    “O setor é extremamente regulado, é um fato. Mas é preciso reconhecer que há um lapso de fiscalização e que os poucos que não seguem a legislação se aproveitam dessa falha e causam danos. Precisamos fortalecer a fiscalização para não penalizar os produtores que trabalham corretamente”, defendeu a engenheira agrônoma Layse Bastos, do CREA.

    A produtora rural Lenir Trevisan também deu um depoimento pessoal, de que teve problemas de saúde que, segundo o diagnóstico médico, foram causados por intoxicação por agrotóxicos. “Além de mim, outras pessoas da minha família também adoeceram. Foi quando voltei a trabalhar como produtora, para plantar minha comida sem o uso desses produtos, adotando outras técnicas agrícolas e sistemas produtivos viáveis e mais saudáveis”, concluiu.

    agricultura Assembleia Legislativa do Pará audiência pública CATIC comissão Faepa Supremo Tribunal Federal (STF)
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