Autor: Davi Barbosa
Pesquisador e mobilizador social, Davi Barbosa Delmont dedica sua vida a unir terra, saber e libertação. Assistente social, agrônomo e pedagogo, com mais de 20 especializações, atua em projetos habitacionais e agroflorestais, sempre inspirado pela pedagogia freireana e pela luta por justiça social.
Há uma legião de trabalhadores que, embora façam girar a engrenagem da administração pública, permanecem invisíveis. São os que ocupam cargos temporários, comissionados, funções de confiança — ou qualquer outro eufemismo que o gestor do momento adote para nomear o que, na realidade, é apenas um vínculo frágil, um pacto precário. Eu os nomeio aqui como o Precariado Comissionado. Esse contingente, disperso em municípios, estados e até na União, é composto por assistentes sociais, pedagogos, advogados, técnicos de nível médio, educadores sociais, entre tantos outros. São trabalhadores que pertencem à classe laboriosa, mas estão apartados dos direitos que deveriam ampará-los.…
O capital financeiro, ao multiplicar-se sem tocar a matéria-prima nem o suor do trabalho, depende necessariamente da extração da riqueza real produzida por trabalhadores, agricultores, pequenos comerciantes e servidores. Como dizia Marx, “o capital não tem pés, precisa sugar o trabalho vivo”. Dowbor mostra o paradoxo: rendimentos financeiros (7–9% ao ano) contra PIB “real” (2–3%). O que significa isso? Que a multiplicação de ativos, derivativos, títulos e dívidas não brota do nada, mas de um manancial finito de riqueza social. O dinheiro dos juros pagos ao detentor de títulos públicos, o lucro do especulador que gira papéis em bolsa, o…
Dizem: “O governo não é a sua salvação. Trabalhe duro. Estude. Vença por esforço próprio.” Nós respondemos: mentira! Essa ladainha repetida por Mia Love, embrulhada em papel colorido de motivação, não passa de aveludada chantagem ideológica. É a fala típica da classe dominante que adora pregar moral aos pobres enquanto vive sugando o Estado como um parasita. Querem que o trabalhador acredite que só lhe resta a lida insana e a fé na escola sucateada. Querem que a cozinheira, o pedreiro, o lavrador, o desempregado se culpem por não prosperar num jogo em que as cartas já foram marcadas pelos donos…
Ayn Rand, escritora e filósofa defensora do objetivismo, lançou uma frase que ainda ecoa no debate político contemporâneo: “O capitalismo não criou a pobreza, ele a herdou.” À primeira vista, trata-se de uma sentença que soa tanto como defesa do sistema capitalista quanto como acusação indireta às críticas socialistas. Mas o que realmente está em jogo? Na perspectiva randiana, a humanidade nasce na carência. Antes da Revolução Industrial, diz ela, os homens viviam sob fome crônica, doenças, baixíssima expectativa de vida, numa existência de sobrevivência nua e crua. Logo, a miséria não é produto de nenhuma ordem econômica específica, mas…
