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    Início Dia Internacional da Mulher: o que há para comemorar nesse 8 de Março?
    Colunista Bárbara Selvate

    Dia Internacional da Mulher: o que há para comemorar nesse 8 de Março?

    Bárbara SelvateBárbara Selvate6 de março de 2024
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    Dia Internacional da Mulher: o que há para comemorar nesse 8 de Março?
    8 de março Dia Internacional da Mulher / Foto: Reprodução
    Dados recentes apontam que diariamente, 673 mulheres se deslocaram até uma delegacia de polícia para denunciar um episódio de violência doméstica.

    De acordo com a edição mais recente (2023) do Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os anos de 2011 e 2021, mais de 49 mil mulheres perderam suas vidas devido à violência letal.

    A violência doméstica e familiar contra as mulheres é uma triste realidade que persiste em todas as partes do mundo, manifestando-se de diversas formas e intensidades. Essa forma de violência não apenas constitui um crime grave, mas também representa uma séria violação dos direitos humanos das mulheres. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, a violência contra a mulher cresceu.

    Os dados adicionais sobre as agressões em contexto de violência doméstica no Brasil destacam a magnitude e a urgência do problema. O aumento de 2,9% nos casos de agressão, totalizando 245.713 ocorrências, e de 7,2% nos casos de ameaças, resultando em 613.529 registros, revela a persistência e a gravidade da violência de gênero em nosso país.

    Além disso, o número impressionante de 899.485 acionamentos ao 190, é preocupante, representando uma média de 102 chamadas por hora. Esses dados demonstram que a violência doméstica não é um problema isolado ou esporádico, mas sim uma realidade cotidiana que afeta milhares de mulheres em todo o território nacional.

    É alarmante perceber como os feminicídios cresceram 6,1% em 2022, trazendo para números reais, significa que 1.437 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres. Esses números não representam apenas estatísticas, mas sim histórias de mulheres que foram vítimas de violência, intimidação e desrespeito em suas vidas cotidianas.

    Em meio a tantos dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023 e o Instituto Sou da Paz, revelam uma realidade assustadora para nós mulheres. Cerca de 245.713 mulheres registraram boletim de ocorrência para agressões ocorridas no ambiente doméstico ou fora dele, isso implica dizer que diariamente 673 mulheres se deslocam até uma delegacia.

    Cada uma dessas mulheres enfrentou o medo e a incerteza para buscar ajuda e justiça. No entanto, sabemos que muitas outras sofrem em silêncio, incapazes de denunciar o abuso devido ao medo, à vergonha ou à falta de apoio.

    Arma de fogo é o instrumento mais utilizado em casos de feminicídio segundo pesquisa.

    Os dados apresentados pelo Instituto Sou da Paz revelam uma realidade preocupante e trágica sobre a violência contra as mulheres no Brasil. O relatório destaca que a arma de fogo é o instrumento mais utilizado nos assassinatos de mulheres no país, em metade dos casos de feminicídio ocorridos entre os anos de 2012 e 2020 envolvendo o uso desse tipo de arma.

    Essa constatação evidencia não apenas a gravidade do problema, mas também a necessidade urgente de adotar medidas eficazes para prevenir e combater a violência de gênero. O fácil acesso às armas de fogo, aliado à persistência de uma cultura patriarcal e violenta, cria um ambiente propício para a perpetuação desse tipo de crime.

    O uso de armas de fogo em casos de feminicídio não apenas aumenta a letalidade dos ataques, mas também reflete uma dinâmica de poder e controle exercida pelos agressores sobre as mulheres. É uma forma extrema de violência que busca subjugar, amedrontar e, em última instância, eliminar as mulheres que desafiam o domínio masculino.

    Denúncias de Assédio Sexual cresceram 49,7% no último ano.

    De acordo com dados divulgados pelo Fórum de Segurança Pública, é possível observar um crescimento de 49,7% nos casos de assédio sexual, totalizando 6.114 ocorrências, e de 37% nos casos de importunação sexual, atingindo o patamar de 27.530 casos, evidencia uma tendência preocupante que afeta diretamente a segurança e a dignidade das mulheres.

    Desde o assédio verbal nas ruas até os casos mais graves de estupro e feminicídio, estamos lidando com um problema que perpassa todas as modalidades criminais e que tem impactos profundos na vida das mulheres e na sociedade como um todo.

    Com relação aos casos de estupro, houve um aumento alarmante de 14,9% em relação ao mesmo período do ano de 2022, o país registrou um total de 34 mil casos de estupro de meninas e mulheres de janeiro a junho de 2023.

    O mais chocante é que isso se traduz em uma estatística arrepiante: a cada 8 minutos, em média, uma menina ou mulher foi vítima desse crime brutal entre janeiro e junho no Brasil. Esse número representa o maior registrado desde o início da série histórica em 2019, lançando luz sobre uma crise que continua a assolar a sociedade brasileira.

    Por trás desses números estão histórias de dor, medo e sofrimento vivenciadas por mulheres que enfrentam a violência em seus lares, muitas vezes sem ter para onde recorrer. É fundamental que essas vítimas recebam o apoio e a proteção necessários para romper com o ciclo de violência e reconstruir suas vidas em segurança.

    As dificuldades no enfrentamento da violência contra a mulher.

     A violência contra a mulher tem suas raízes profundas no machismo, uma ideologia que permeia as estruturas sociais há séculos, afetando não apenas homens, mas também algumas mulheres. Essa mentalidade patriarcal contribui para a perpetuação de estereótipos prejudiciais de gênero, desigualdades sociais e, em última instância, para a normalização da violência contra as mulheres.

    Embora a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) represente um grande avanço no enfrentamento da violência contra a mulher, sendo até mesmo um modelo para outros países, ainda é um grande desafio pô-la em prática.

    De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, do Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV), em parceria com o Senado Federal, Instituto Avon e Gênero e Número, apenas 20% das mulheres brasileiras se consideram bem informadas, em números reais, significa que apenas 2 entre 10 mulheres conhecem a lei.

    Os dados apresentados revelam disparidades regionais significativas no conhecimento sobre a Lei Maria da Penha. Enquanto no Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Sul, cerca de um terço das mulheres afirmam estar bem informadas sobre a legislação, nos estados do Norte e Nordeste, especialmente no Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Roraima e Ceará, esse índice é consideravelmente menor, com até 74% das mulheres afirmando ter pouco conhecimento sobre a lei.

    Além disso, o levantamento mostra que, embora a delegacia da mulher seja amplamente reconhecida como um serviço de proteção à mulher (com 95% de conhecimento entre as entrevistadas), a Casa da Mulher Brasileira, outro importante recurso na rede de proteção, é conhecida por apenas 38% das mulheres.

    A “Casa da Mulher Brasileira”, que conta com serviços como, Juizado Especial voltado para o atendimento a mulher; Núcleo Especializado da Promotoria, Núcleo Especializado da Defensoria Pública, Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, Alojamento de Passagem, Brinquedoteca, Apoio Psicossocial, e Qualificação para a sua autonomia econômica, visando oferecer um suporte humanizado às mulheres em situação de violência.

    No entanto, a responsabilidade não é apenas do Estado. Cada um de nós tem um papel a desempenhar na prevenção e combate a qualquer tipo de violência contra a mulher. Devemos quebrar conceitos machistas e patriarcais em nossa sociedade, promovendo uma cultura de respeito, igualdade de gênero.

    Esses números perturbadores nos lembram que a luta contra a violência de gênero é urgente e contínua. É perceptível que a luta contra o feminicídio e a violência de gênero requer um compromisso conjunto de toda a sociedade, visando não apenas punir os agressores, mas transformar principalmente as estruturas sociais e culturais que perpetuam a desigualdade e a violência contra as mulheres.

    O Dia Internacional da Mulher vai além de simples homenagens triviais, constituindo-se em um convite à reflexão sobre o tratamento dispensado às mulheres em nossa sociedade. Esta reflexão abarca não apenas as esferas afetiva, familiar e social, mas também as questões cruciais relacionadas ao mercado de trabalho.

    As estatísticas são claras e alarmantes: o preconceito de gênero é uma força prejudicial que permeia o mercado de trabalho, impondo barreiras significativas às mulheres. Contudo, os impactos nefastos não se limitam a esse âmbito. As mulheres enfrentam uma série de desafios que afetam profundamente suas vidas, incluindo a violência de gênero, o abandono por parte de parceiros durante a gravidez e os inúmeros casos de assédio.

    Nesse 08 de Março, é essencial dedicarmos tempo à reflexão sobre a vasta desigualdade e a violência que as mulheres enfrentam, tanto no Brasil quanto no mundo. Este é um momento crucial para confrontarmos o silenciamento que perpetua a normalização dessas desigualdades e violências. É uma oportunidade para repensarmos nossas atitudes e nos engajarmos na construção de uma sociedade que rejeita firmemente a desigualdade e o preconceito de gênero.

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    Bárbara Selvate TN Brasil TV
    Bárbara Selvate
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    Pesquisadora, escritora, comunicadora e graduanda em História pela UFPa. Pesquisa temas como gênero, casamento e família no período da Belle Époque Amazônica. Amante dos clássicos da literatura, sobretudo das narrativas de Walcyr Monteiro. Paraense, natural de Ananindeua. Em sua coluna Bárbara abordará temas relacionados a história e a cultura de Belém, Ananindeua e a Amazônia com um toque do sobrenatural e encantarias presente no imaginário paraense.

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