Investigação revela que Layla Ayub levou líder criminoso à sua posse no Palácio dos Bandeirantes e advogou ilegalmente após virar policial
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público prenderam temporariamente, nesta sexta-feira (16), a delegada Layla Lima Ayub. Recém-empossada no cargo, ela é investigada por manter um relacionamento amoroso e profissional com Jardel Neto Pereira da Cruz, o “MC Dedel”, apontado como uma das principais lideranças do PCC na região Norte do Brasil. A operação cumpriu mandados em São Paulo e em Marabá (PA).
Se o fato já não fosse de extrema gravidade, poucas vezes vistas, causando surpresa até àqueles que laboram na Justiça Criminal há anos, se comprovado, demonstra uma ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas. – Fernando Deroma de Mello, TJSP
Um suposto integrante do alto escalão do PCC, com condenações criminais, suspeito de ser responsável por possíveis atentados contra a vida de juízes e outros agentes da Segurança Pública, comparece à cerimônia de posse de sua companheira como Delegada de Polícia do Estado de São Paulo que, novamente, em tese, estaria atuando em conjunto com o crime organizado. – Fernando Deroma de Mello, TJSP.
Não parece que ela foi cooptada para ser delegada do PCC. Foi uma ação individual.
– Carlos Gaya, promotor do Gaeco.
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Acúmulo ilegal de funções: Mesmo após tomar posse como delegada em 16 de dezembro de 2025, Layla atuou como advogada de defesa em uma audiência de custódia no Pará, em 28 de dezembro, para suspeitos de tráfico. Segundo o corregedor-geral, João Batista Palma Beolchi, “essa é uma das provas robustas que já produzem efeito contra ela”.
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Conexão com o crime organizado: As investigações apontam que a delegada teria atuado como advogada da facção durante todo o ano de 2025, realizando “múltiplas visitas a líderes da facção” em presídios do Pará.
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Presença audaciosa na posse: O namorado da delegada, MC Dedel, esteve presente na cerimônia de posse de Layla no Palácio dos Bandeirantes, evento que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas. Na decisão judicial, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello classificou a presença do faccionado (que deveria estar em liberdade condicional em outra comarca) como “audaciosa”.
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Lavagem de dinheiro: A investigação descobriu que o casal estava negociando a compra de uma padaria na Zona Leste de São Paulo, estabelecimento que, segundo a polícia, “seria utilizado para lavagem de dinheiro”.
O magistrado concluiu na decisão que o conjunto de evidências demonstra um “severo comprometimento” da servidora pública com o crime organizado, o que justificou a medida cautelar extrema.
Fonte: Baseado no conteúdo jornalístico da CNN Brasil e portais de notícias (Janeiro/2026).
