Rubens Paiva: Vida Política, Resistência à Ditadura e Morte

0
Rubens Paiva: Vida Política, Resistência à Ditadura e Morte
Com o golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart, Rubens Paiva tornou-se um alvo do regime autoritário / Foto: Reprodução

Rubens Beyrodt Paiva (1929-1971) foi um político brasileiro, engenheiro e deputado federal conhecido por sua oposição ao regime militar instaurado no Brasil após o golpe de 1964. Sua trajetória foi marcada pela luta pela democracia, pela resistência à ditadura e por um trágico fim, que o transformou em um símbolo da violência e da repressão do período.


Vida Política

Rubens Paiva nasceu em 14 de fevereiro de 1929, no Rio de Janeiro. Formado em engenharia, ele ingressou na política na década de 1960, filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 1962, foi eleito deputado federal pelo estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro), destacando-se como uma voz progressista e defensora das reformas de base, propostas pelo presidente João Goulart.

Paiva era um defensor da democracia e dos direitos sociais, posicionando-se contra as desigualdades e a favor de medidas como a reforma agrária e a ampliação dos direitos trabalhistas. Sua atuação parlamentar foi marcada por discursos incisivos e pela defesa intransigente das liberdades democráticas.


Voz Contra a Ditadura

Com o golpe militar de 31 de março de 1964, que derrubou o presidente João Goulart, Rubens Paiva tornou-se um alvo do regime autoritário. Em 9 de abril de 1964, seu mandato de deputado federal foi cassado pelo Ato Institucional Nº 1 (AI-1), que permitia ao governo militar cassar mandatos e suspender direitos políticos de opositores.

Mesmo após a cassação, Paiva continuou a se opor ao regime, mantendo contatos com grupos de resistência e denunciando as violações de direitos humanos cometidas pelos militares. Sua postura crítica e sua recusa em se calar diante da repressão o colocaram na mira dos órgãos de segurança do regime.


Prisão, Tortura e Morte

Em 20 de janeiro de 1971, Rubens Paiva foi preso em sua casa, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, por agentes do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), um dos principais órgãos de repressão da ditadura militar. Ele foi levado para o quartel-general do Exército na Vila Militar, onde foi submetido a sessões de tortura.

Segundo relatos de sobreviventes e investigações posteriores, Paiva foi brutalmente torturado durante seu cativeiro. No entanto, sua morte nunca foi adequadamente esclarecida pelas autoridades da época. O regime militar alegou que ele havia fugido durante uma transferência, mas essa versão foi amplamente contestada por familiares, testemunhas e organizações de direitos humanos.

Em 1993, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada após o fim da ditadura, concluiu que Rubens Paiva havia sido assassinado sob custódia do Exército. Seus restos mortais nunca foram encontrados, e sua morte permanece como um dos casos mais emblemáticos de violência política durante o regime militar.


Exército Responsável pela Morte de Rubens Paiva

O Exército brasileiro foi diretamente responsável pela prisão, tortura e morte de Rubens Paiva. O DOI-CODI, órgão subordinado ao Exército, foi o principal responsável por sua captura e pelo tratamento brutal que ele sofreu. A falta de transparência e a tentativa de encobrir o crime são características marcantes do caso, refletindo a prática sistemática de violações de direitos humanos durante a ditadura.

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada para investigar crimes cometidos durante o regime militar, reafirmou a responsabilidade do Estado brasileiro na morte de Rubens Paiva. O relatório da CNV apontou que sua morte foi resultado de “ações perpetradas por agentes do Estado no contexto de sistemáticas e generalizadas violações de direitos humanos”.


Legado de Rubens Paiva

Rubens Paiva tornou-se um símbolo da resistência à ditadura militar e da luta pela democracia no Brasil. Sua história é lembrada como um exemplo de coragem e integridade, mas também como um alerta sobre os horrores da repressão e da violência de Estado.

Em 2015, o governo brasileiro reconheceu oficialmente a responsabilidade do Estado na morte de Rubens Paiva, e sua família recebeu uma indenização. No entanto, a falta de justiça plena e a ausência de seus restos mortais continuam a ser feridas abertas para seus familiares e para a sociedade brasileira.

A memória de Rubens Paiva permanece viva como um lembrete da importância de defender a democracia, os direitos humanos e a justiça, garantindo que os crimes da ditadura nunca sejam esquecidos ou repetidos.


Conclusão

A trajetória de Rubens Paiva é um testemunho da luta contra a opressão e da busca por justiça em um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. Sua morte sob custódia do Exército é um marco trágico da ditadura militar, e sua história continua a inspirar a luta pela verdade, pela memória e pela democracia.