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    Vaso de Honra, não de Fraqueza: Mary Astell contra os Dogmas de seu Tempo

    Taciano CassimiroTaciano Cassimiro3 de janeiro de 2026 PORTAL DA HISTÓRIA
    Vaso de Honra, não de Fraqueza: Mary Astell contra os Dogmas de seu Tempo
    Mary Astell foi uma figura revolucionária, frequentemente chamada de "a primeira feminista inglesa" / Imagem: Pintado por Sir Joshua Reynolds.
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    Mary Astell foi uma figura revolucionária, frequentemente chamada de “a primeira feminista inglesa”

    Mary Astell nasceu em 12 de novembro de 1666. Embora católica devota, era de origem anglicana de classe média, de Newcastle. À semelhança das mulheres de seus dias, recebeu pouca educação formal, porém, seu tio, Ralph Astell, a introduziu na filosofia clássica quando ela tinha 8 anos.

    Quando Astell tinha 12 anos, seu pai morreu, deixando-a sem dote. Todos os recursos estavam investidos na educação do seu irmão Peter, o mais novo. Seu irmão William morreu quando ainda era criança. Mary e a mãe se mudaram para a casa de uma de suas tias.  Com a morte da mãe e da tia em 1688, Mary mudou-se para Chelsea, Londres, onde conheceu mulheres influentes do círculo literário local.

    Mas, após a morte de sua mãe, passou dificuldades para viver da escrita; entretanto, amigas e mecenas lhe deram apoio. Nesse período, o arcebispo de Canterbury, William Sancroft, o apoiou financeiramente.

    É importante ressaltar que Astell é normalmente lembrada por sua habilidade em debater livremente com homens e mulheres contemporâneos e por seus métodos arrebatadores de negociar debates sobre a posição social da mulher, utilizando-se da filosofia (Descartes foi uma grande influência). A Teoria do Dualismo, de Descartes, de que mente e corpo são separados, permitiu que Mary promovesse a ideia de que mulheres também tinham a mesma habilidade racional dos homens e, portanto, não deveriam ser tratadas com desprezo.

    Se todos os Homens nascem livres, por que as mulheres nascem escravas?
    A célebre Mary Astell: uma das primeiras feministas inglesas (Série Mulheres na Cultura e na Sociedade)
    Existem poucos registros sobre sua vida, a maioria se perdeu ao longo dos séculos. Sua biógrafa, Ruth Perry explica: “ (…) como mulher ela não tinha envolvimento em negócios, comércio, política ou com a legislatura. Ela nasceu, ela morreu. Foi dona de uma casa pequena por alguns anos, teve uma conta bancária, auxiliou na abertura de uma escola de caridade em Chelsea. Estes são fatos que os documentos públicos podem nos dar. ” Apenas quatro cartas foram preservadas porque foram escritas para homens importantes de sua época / Foto: abebooks

    Crença Dominante (Século XVII)

    • Com base na Bíblia, a Igreja Católica defendia que as mulheres eram “vasos frágeis”.

    “Eva foi criada da costela de Adão.”

    • Nasceram para serem esposas e mães.
    • Devem estar no controle dos homens.
    • Os Quakers e Anabatistas eram de posição diferente da Igreja Católica, pois defendiam que as mulheres eram iguais aos homens. Em seus cultos, as mulheres podiam até pregar.

    Como Astell reagiu a essa estrutura patriarcal, machista e religiosa?

    • Deus criou as mulheres com “almas igualmente inteligentes” e “com a faculdade de pensamento”, mas os homens é que as subordinavam.
    • Manter as mulheres escravizadas aos homens era um “insulto a Deus”.

    Como romper esse círculo de subordinação?

    Mary Astell defendia que uma “educação melhor era a chave para igualdade”. Incentiva as mulheres a investirem em seus talentos para não se submeterem aos homens. Até sugeriu a criação de um convento ou universidade para que as mulheres pudessem se dedicar ao conhecimento “vida da mente”.

    E o casamento?

    Na sua obra “Some Reflections Upon Marriage”, de 1700, ela aconselhou as mulheres a evitarem o casamento baseado na luxúria ou em dinheiro. Ela dava outros alertas, como, por exemplo, em relação à disparidade de inteligência, caráter e fortuna, que poderia levar à miséria. Assim, recomendava que o casamento deveria ser baseado em uma longa amizade, ao invés de uma atração de curto prazo. E insistia que “A mulher devia buscar por um bom entendimento, mente virtuosa, respeito e igualdade, o máximo possível”, Encyclopedia of World Biography.

    Por isso, ela enfatizava a educação, acreditando que uma mulher instruída conseguiria escolher com sabedoria e evitar infortúnios amorosos. Ela nunca se casou.

    Morte

    No ano de 1709, Astell se retirou da vida pública e fundou uma escola de caridades em Chelsea. Diagnosticada com câncer de mama, submeteu-se a uma mastectomia; meses depois faleceu. Era 11 de maio de 1731. Segundo relatos da época, Astell passou seus últimos dias trancada em seu quarto, ao lado de seu caixão, pensando apenas em Deus. Foi sepultada no cemitério da igreja de Chelsea, em Londres.

    Mary Astell foi uma grande debatedora em uma época em que poucas mulheres se arriscavam a debater esse assunto em público. Inspirada no filósofo Descartes, conseguiu elaborar suas teses de que homens e mulheres têm a mesma habilidade racional e que, por essa razão, não deveriam ser tratados com desprezo.

    Não era uma ativista conforme as concepções modernas, mas refletiu sobre as questões do seu tempo com coragem e muita sabedoria.

    Obras-chave

    • A Serious Proposal to the Ladies for the Advancement of their True and Greatest Interest. London, 1694, 1697, 1701
    • Some Reflections upon Marriage. London, 1700

     

     

    católica Deus Dualismo Newcastle
    Taciano Cassimiro, é jornalista, comentarista e CEO da TN Brasil TV / Foto: AP
    Taciano Cassimiro
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    Jornalista MTB 3190/PA, Bacharel em Teologia, Pós-Graduações: História do Brasil, Direito Político e Eleitoral, Jornalismo Político, História da América, Ciências Políticas, Relações Internacionais | Pós-Graduando em Comunicação em Crises Internacionais e MBA Executivo em Gestão Estratégica de Publicidade e Propaganda | Membro do SINJOR (Sindicato dos Jornalistas do Pará) e da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas). Alagoano, de Maceió. Torcedor do CSA, Vasco da Gama e Paysandu.

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