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    Tião Martins: Jornal da Molecagem

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV23 de outubro de 2020 PORTAL DA HISTÓRIA
    Tião Martins: Jornal da Molecagem
    Tião Martins, Apparício Torelly, gaúcho sem título de nobreza que se mudou para o Rio e divertiu brasileiros de todas as classes sociais / Foto: Reprodução
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    Tião Martins | Muitos são mais tolos que paulista barulhento, mas há gaúchas e gaúchos tão finos e cáusticos quanto os cariocas, baianos e mineiros.

    Apparício Torelly, gaúcho sem título de nobreza que se mudou para o Rio e divertiu brasileiros de todas as classes sociais, foi o mais fino barão que a sua terra produziu.

    Intitulava-se “Barão de Itararé” e despia em público as suas “vítimas”.

    Como costumam dizer a mais linda de todas as cariocas e a mais bela e lúcida das gaúchas, Apparício debochava de todo mundo, o que lhe custou visitas de cara feia de policiais despidos de qualquer senso de humor. E a esses últimos dedicou um aviso, colado na porta da redação:

    “Entre sem bater”.

    Não perdoava ninguém.

    Apparicio produziu um jornal de molecagem, intitulado “A Manha”, por oposição ao mais importante e vetusto jornal do Rio de Janeiro, em sua época: “A Manhã”.

    E um dos ótimos achados dele foi a definição de “negociata”, algo tão comum na Brasília dos nossos dias:

    – “Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados”.

    E fustigou os banqueiros:

    – “O banco é uma instituição que só empresta dinheiro se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa da grana”.

    Fazia rir com frases curtas:

    – “A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda”.

    Ou esta:

    – “Quando pobre come frango, um dos dois está doente”.

    E, ainda, a deliciosa boutade, como diriam os franceses:

    – “Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo”.

    Era incomparável, o Barão. Muitos tentaram imitá-lo, mas logo desistiram.

    Ainda nos anos da escuridão, a Associação Brasileira de Imprensa, na época presidida por Maurício Azedo (foto), meu amigo e companheiro no jornalismo, decidira declarar Apparício Torelly “O Barão da Liberdade”.

    Azedo estava cuidando disso, quando faleceu, ainda tão jovem, sobretudo se comparado à velharia que, naquela época, ainda envenenava o Brasil, os brasileiros e todos os pressupostos da democracia.

    Se você quiser saber mais sobre Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, leia o livro do filósofo Leandro Konder, que lançou pela Brasiliense a biografia desse bravo, com o título “Barão de Itararé – O Humorista da Democracia”.

    São pouco mais de 70 páginas, mas vale a pena dedicar algumas horas à história desse criativo cidadão gaúcho, porque a comédia nacional nunca mais foi tão negra e tão deliciosa quanto nos achados cínicos e sinceros do Barão.

    A delícia que se segue também foi dele, quando mudou para o Rio de Janeiro:

    – “Devo tanto que, se chamar alguém de “meu bem”, o banco toma”.

    Algumas vezes (ninguém sabe dizer quantas), as visitas policiais à redação evoluíam, no mínimo, para um passeio obrigatório até a Delegacia de Polícia, onde lhe faziam as mesmas perguntas e ouviam dele as mesmas respostas.

    E o Barão, detido pelos senhores policiais, mal deixava as grades e já lançava ao mundo novos comentários deliciosos sobre a “brilhante inteligência dos senhores policiais”, que faziam prisões sem saber por que razão.

    – Até a próxima temporada – dizia Apparicio.

    Barão de Itararé de pé e de barba na Casa de Detenção em 1936 (fonte: Entre sem Bater, a Vida de Apparício Torelly, o Barão de Itararé).

    Tudo isso prova que gaúchas e gaúchos não são vazios de humor, como dizem alguns sujeitos sem pai e sem mãe.

    Se você estranhou que o Rio Grande do Sul tenha produzido essa fera requintada, convém lembrar que muita gente boa viveu ou ainda vive por lá, em ótima companhia: Érico Veríssimo, Clara Averbuck, Martha Medeiros, Lya Luft, Letícia Wierchowzki e Cíntia Moscovich, entre muitos outros.

    O melhor de todos foi o Barão, mas há gaúchas e gaúchos, assim como cariocas e mineiros, que não perdem a chance de denunciar este país torto que herdamos e quase foi engolido pelo PT do Inácio e da sua intolerável aprendiz mineira, a Rousseff destrambelhada.

    Naquela época grotesca em que viveu o Barão de Itararé, o Rio Grande e o de Janeiro conquistaram a simpatia e a inteligência dos brasileiros, do Amazonas ao Chuí, passando por Minas e por São Paulo.

    Hoje, os herdeiros – civis ou militares – daqueles generais do passado, são adultos, modernos, conscientes e não deveriam embarcar deselegância e tolice dos antecessores.

    Infelizmente, ainda há cretinos civis que tentam botar fogo no lixo que eles próprios produziram, pisando no Brasil e envenenando a inteligência dos brasileiros. Devem ser todos irmãos infelizes de Inácio e Dilma, analfabetos morais que não valem sequer um tostão…

    Aqui ou nos bancos refinados da Suíça, onde mora o fim do mundo.

    Fonte: Portal Don Oleari

    jornal Rio de janeiro rio grande do sul Tião Martins
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