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    Aras pede ao STF que revogue suspensão de inquérito sobre Flávio Bolsonaro

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV19 de novembro de 2019 POLÍTICA
    Aras pede ao STF que revogue suspensão de inquérito sobre Flávio Bolsonaro
    Foto:\\ reprodução Google
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    O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu nesta terça-feira, 19, em memorial entregue ao Supremo Tribunal Federal que a Corte revogue a decisão monocrática do seu presidente, ministro Dias Toffoli, que paralisou o compartilhamento de informações pelo Ministério Público com órgãos fiscais, como o antigo Coaf, hoje UIF (Unidade de Inteligência Financeira) e a Receita Federal. A medida foi tomada em recurso apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-SP) e será discutida pelo plenário do STF na quarta-feira 20.

    Ministro Dias Toffoli alega, em linhas gerais, que o compartilhamento de informações fiscais e financeiras de pessoas só pode ocorrer com autorização judicial–para o ministro, órgãos como Coaf e Receita podem repassar aos investigadores apenas dados básicos como a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados.

    Para Augusto Aras, no entanto, relatórios genéricos, como o modelo proposto, “são inúteis à persecução de crimes relacionados à lavagem de dinheiro e à corrupção, pois inviabilizam o cruzamento de informações relevantes e o acesso a dados que de fato caracterizam os crimes listados”.

    Para o procurador-geral, ainda, a decisão de condicionar o compartilhamento de dados financeiros à prévia autorização judicial onerará excessivamente a Justiça com pedidos de quebra de sigile poderá ocasionar a abertura de investigações desnecessárias, prejudicando todo o sistema de combate à lavagem de ativos.

    “Caso o MP passe a ter acesso apenas a informações genéricas, isso obrigará essa instituição, a fim de ter acesso aos dados detalhados, a requerer em juízo a quebra de sigilo de pessoas que, por vezes, não praticaram qualquer conduta suspeita ou indicativa de lavagem de dinheiro”, afirma. “Na prática, isso levará à instauração de apurações contra pessoas sobre as quais não recai qualquer suspeita, fazendo-as constar desnecessariamente como investigadas dentro do sistema judicial criminal”, completa.

     

    Segundo Augusto Aras, o compartilhamento das informações com órgãos de persecução penal não prejudica a privacidade e o sigilo dos investigados, uma vez que apenas parte das informações financeiras pode ser acessada pelos órgãos de investigação. De acordo com ele, ao receberem o Relatório de Inteligência Financeira (RIF), tanto o Ministério Público quanto a Polícia Federal não têm acesso à integralidade dos dados financeiros dos contribuintes, mas somente àqueles que fundamentam a suspeita da prática criminosa.

    “Jamais são enviados a tais órgãos extratos bancários, por exemplo, aos quais nem mesmo a UIF tem acesso”, diz. “Assim, o intercâmbio de informações por meio do RIF atinge apenas uma parte do direito ao sigilo de dados do contribuinte, justamente aquela parte referente a dados que consistem em indícios da prática de crimes. Todo o restante do sigilo continua preservado”, afirma.

     

    Outra consequência apontada por Aras é, caso a restrição ao compartilhamento seja mantida, é colocar o Brasil em rota de colisão com os padrões internacionais de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo e tornar provável a inclusão do Brasil como um país “non compliant”, que desobedece as recomendações e acordos internacionais de combate à macro criminalidade.

    “O enfraquecimento do microssistema brasileiro anti Lavagem debilitará a capacidade do Brasil de reagir a crimes graves. Isso, ironicamente, interessa não aos cidadãos – titulares do direito ao sigilo discutido nestes autos –, mas sim àqueles que praticam os crimes que mais prejudicam a sociedade brasileira”, sintetiza.

    Ministro Dias Toffoli suspendeu as investigações com base nos compartilhamentos em julho deste ano, durante o recesso do Judiciário, quando era plantonista, atendendo a pedido de Flávio Bolsonaro. A iniciativa do filho do presidente foi tomada depois que relatório do Coaf de 2018, entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro, apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabricio Queiroz, ex-assessor do senador.

    Fonte: Veja

     

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