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    Belém do Pará: A cidade das mangueiras, visagens e encantarias.

    Bárbara SelvateBárbara Selvate18 de janeiro de 2024 Bárbara Selvate
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    Foto: Daniel Vilhena (AID/Alepa)
    Belém a cidade das mangueiras / Foto: Daniel Vilhena (AID/Alepa)
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    A cidade de Belém tem importantes monumentos históricos como o Teatro da Paz, Forte do Presépio, Igreja de Santo Alexandre que compõe o Museu de Arte Sacra, o Palacete Bolonha e o Palácio Lauro Sodré/Museu Histórico do Estado do Pará, entre outros, todos esses possuem histórias de visitantes que aparecem em horários inoportunos, um piano que tocaria sozinho durante a madrugada, por exemplo, além de aparições de escravizados em locais como o calabouço do Palácio Lauro Sodré e ainda há  quem diga que avistou Dom Romualdo de Souza Coelho, perambulando pelos corredores da antiga sede do governo do Estado. Os guardas – geralmente testemunhas oculares dessas visitas – juram que todos não pertencem a esse mundo.  É para essa Belém histórica e ao mesmo tempo mágica que iremos nos transportar, especificamente o Palácio Lauro Sodré – atualmente Museu Histórico do Estado do Pará.

    Quantos belenenses nunca ouviram, em algum momento de suas vidas, a história da “moça do táxi” ou a narrativa da menina que, ao tentar golpear a mãe com uma vassoura, se transformou em estátua? Numa tentativa audaciosa de revisitar um dos hábitos mais singulares de nossa cultura, visualizamos a cena da velha senhora reunindo seus netos no chão para compartilhar histórias do sobrenatural presente em nossa herança cultural. É notável destacar o quão incrível é para os habitantes de Belém, já que o narrador durante essas narrativas faz referências quase precisas a bairros, ruas, praças, cemitérios e outros locais onde supostamente ocorreram esses eventos de visagens e assombrações. Vale ressaltar que, embora sejam consideradas “lendas urbanas,” grande parte disso está profundamente enraizada em nossas crenças e imaginação, como o autor explora em suas conclusões e pesquisas. Portanto, perambular pelas ruas de Belém ganha um significado totalmente novo, tornando-se uma experiência verdadeiramente mágica. É para essa Belém mágica que iremos nos transportar, especificamente o Palácio Lauro Sodré – atualmente Museu Histórico do Estado do Pará.

    O ano era 1754 quando a  comissão demarcadora de limites chegou a Belém, trazendo consigo o arquiteto bolonhês Antônio José Landi, a paisagem urbana que encontrou era simples, pois na cidade não havia palácios nem solares, apenas um grande monumento da arquitetura religiosa, construído pelos jesuítas: a igreja barroca de Santo Alexandre e o colégio, ao seu lado.  A então modesta residência dos governadores se encontrava em ruínas, prestes a cair sobre suas cabeças. Sob o comando do capitão-general Fernando da Costa de Athaide-Teive, então governador do Grão-Pará, e com a aprovação da Corte para a construção do novo palácio, foi feita uma solicitação a Landi para que ele produzisse um projeto mais refinado. O objetivo era criar uma residência condizente com a dignidade e o decoro esperado para os Governadores e Capitães Generais. Em resposta a esse pedido, Landi reformulou o projeto, almejando uma construção monumental, que, por sua vez, deu origem à grandiosa escala que o edifício ostenta nos dias de hoje. Batalhas, intrigas políticas e decisões que seriam capazes de mudar o rumo do Estado. As paredes do antigo Palácio dos Governadores abrigam rastros do tempo em que o palácio foi palco de episódios cruciais para a história paraense, tais como a Adesão do Pará à Independência do Brasil em 1823 – assinada por D. Romualdo Coelho, o qual falaremos mais tarde – e um dos palcos da Revolta da Cabanagem em 1835, quando o então intendente da província do Grão-Pará e Maranhão teria sido assassinado na escadaria do palácio pelo Tapuio, Domingos Onça.

    Muitos  são os mistérios que rondam a construção secular do período colonial, grande parte dos relatos são narrativas de alguns dos vigilantes, que segundo eles, teriam presenciado coisas de “outro mundo”, como portas e janelas que supostamente teriam aparecido abertas sem explicação, e há quem afirma ter avistado pessoas escravizadas presas no antigo  calabouço do palácio.

    Adesão do Pará

    O Pará, sendo a última província a aderir a essa independência, o fez oficialmente em 15 de agosto de 1823, após uma demora inicial. No entanto, a adesão à independência trouxe divisões no Grão-Pará. Liderada por Don Romualdo Coelho, a Junta Provisória que assumiu o controle da província era composta por conservadores que se opunham à separação de Portugal. Dom Pedro I, Imperador do Brasil, enviou pra cá um comandante de fragata inglês, John Grenfell, contratado para criar aqui a Marinha. Ele foi designado com a missão de trabalhar o movimento para incorporar o Pará ao Brasil. A consagração da Adesão ocorreu após uma assembleia no Palácio Lauro Sodré, sede da Colônia Portuguesa à época, local em que no dia 15 de agosto de 1823, o documento de adesão do Pará foi assinado, rompendo de vez com Portugal.

    1. Romualdo Coelho é uma das figuras que mais aparecem nos relatos, sendo visto até mesmo por um visitante: “Teve uma visitante que disse ter visto uma pessoa sentada na mesa do Barata, o homem usava uma roupa vermelha, a visitante perguntou por que aquele homem tava’ pegando na mesa, já que era proibido pegar nos móveis e quando o colega foi lá olhar, não tinha ninguém lá. Tem gente que diz que é um bispo que anda por aqui, já ouvi muita coisa dele”.

    Outras narrativas sobre o tal homem de túnica vermelha reforçam a crença de que tal homem estaria rondando os corredores do palácio. “Uma vez eu tava’ fazendo a ronda por conta de um barulho que eu escutei, eram umas 17:30, por aí, quando eu subo, rapaz, eu vi um homem me olhando, era alto e usava uma roupa vermelha, parece de padre e essas coisas. Também, aconteceu algo parecido com uma guardete que trabalhou aqui, ela disse que viu esse tal homem e saiu correndo, ela era esse pessoal que vê as coisas”.

    Dom Romualdo proclamou a adesão do Pará ao Império do Brasil. Durante a Cabanagem (1835-1840) tendo papel de destaque. Morreu em Belém em 1841, após governar a Diocese de Belém do Pará durante 20 anos, enfrentando graves problemas sociais e políticos.

    Belém Forte do Presépio Igreja de Santo Alexandre Museu de Arte Sacra Palacete Bolonha Pará Teatro da Paz
    Bárbara Selvate TN Brasil TV
    Bárbara Selvate
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    Pesquisadora, escritora, comunicadora e graduanda em História pela UFPa. Pesquisa temas como gênero, casamento e família no período da Belle Époque Amazônica. Amante dos clássicos da literatura, sobretudo das narrativas de Walcyr Monteiro. Paraense, natural de Ananindeua. Em sua coluna Bárbara abordará temas relacionados a história e a cultura de Belém, Ananindeua e a Amazônia com um toque do sobrenatural e encantarias presente no imaginário paraense.

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