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    Brasil está entre piores países do mundo em impunidade de assassinatos de jornalistas

    Taciano CassimiroTaciano Cassimiro29 de outubro de 2018 NOTÍCIAS
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    O Brasil é um dos dez piores países do mundo em termos de impunidade para assassinatos de jornalistas, segundo um levantamento divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Centro para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), organização que promove liberdade de imprensa, com sede em Nova York.

    De acordo com o Índice de Impunidade, no período de dez anos entre 1º de setembro de 2008 e 31 de agosto de 2018, houve 17 casos em que os criminosos não foram condenados. Desde 1992, foram 41 jornalistas mortos no Brasil, e 27 desses crimes permanecem impunes.

    A classificação do Brasil piorou em relação ao ano passado, quando o país ficou em 8º lugar, com 15 casos impunes. Nos 11 anos em que o levantamento é divulgado, o Brasil ficou de fora em apenas dois anos.

    “O índice do Brasil piorou porque não houve qualquer progresso nos casos anteriores, além de (terem surgido) alguns novos casos”, diz à BBC News Brasil a coordenadora do programa do CPJ para a América Central e do Sul, Natalie Southwick.

    “Outros países, como o México, por exemplo, têm taxas mais altas de violência contra jornalistas, mas o que vemos no Brasil é ação vagarosa, ou completa inação, por parte das autoridades para resolver esses assassinatos.”

    Segundo a gerente-executiva da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Marina Atoji, mesmo em casos em que o crime foi desvendado e houve prisões e condenações, os mandantes permanecem desconhecidos ou impunes.

    “Esse índice acaba refletindo um padrão que o Brasil infelizmente apresenta já há bastante tempo”, diz Atoji à BBC News Brasil. “A impunidade é ruim em qualquer tipo de crime, seja contra jornalista ou não. No caso dos jornalistas, serve quase como um incentivo – sai muito barato, não custa nada matar um jornalista. Isso é perigoso para a liberdade de expressão.”

    Crimes sem solução

    Pelo menos 324 profissionais de imprensa foram mortos ao redor do mundo no período analisado pelo CPJ e, em 85% dos casos, ninguém foi condenado.

    Desde 2008 o Índice de Impunidade é divulgado anualmente pelo CPJ para marcar o Dia Internacional para Acabar com a Impunidade em Crimes contra Jornalistas, em 2 de novembro. Entram na relação países com pelo menos cinco casos de assassinatos de jornalistas que ficaram impunes no período de dez anos analisado.

    O levantamento atual traz 14 países e é encabeçado pelo quarto ano consecutivo pela Somália, com 25 casos sem solução, seguida pela Síria e pelo Iraque. O Brasil está na 10ª posição. Outros dois países latino-americanos integram a lista: México, em 7º lugar, com 26 casos, e Colômbia, em 8º, com cinco.

    A classificação do Brasil piorou em relação ao ano passado, quando o país ficou em 8º lugar, com 15 casos impunes
    O Brasil está entre os países com mais impunidade de assassinato de jornalistas. De 2008 a 2018, houve 17 casos em que criminosos não foram condenados

    A classificação do Brasil piorou em relação ao ano passado, quando o país ficou em 8º lugar, com 15 casos impunes

    Agência Brasil/Fernando Fazão

    A colocação de cada país é calculada pelo número de assassinatos sem punição em um período de dez anos dividido pelo número de habitantes, com base em dados de população do Banco Mundial de 2017.

    São incluídos no relatório somente os crimes em que os profissionais foram atacados especificamente por causa de seu trabalho. Jornalistas mortos em combate ou em coberturas perigosas, como protestos, não entram na lista.

    A relação inclui apenas casos de impunidade completa, quando não houve condenação, mesmo que suspeitos estejam sob custódia. Casos em que alguns entre vários suspeitos foram condenados são classificados como “impunidade parcial”, e não entram no levantamento.

    Perfil das vítimas

    Alguns dos países da lista estão mergulhados em guerras e conflitos armados, mas esse não é o caso do Brasil. Vários dos jornalistas brasileiros assassinados atuavam em pequenas cidades e denunciavam casos de corrupção local. Segundo o CPJ, muitas vezes os suspeitos têm influência política e econômica e conseguem escapar da Justiça.

    Entre os casos mais recentes analisados pelo CPJ estão as mortes dos radialistas Jefferson Pureza Lopes, de 39 anos, assassinado com três tiros na varanda de sua casa em Edealina (GO) em 17 de janeiro deste ano, e Jairo de Souza, 43 anos, morto com dois tiros em Bragança (PA) em 21 de junho. Ambos costumavam criticar e denunciar políticos locais e vinham recebendo ameaças antes de serem assassinados.

    “Algo que vemos com frequência no Brasil é que os jornalistas alvo de assassinato tendem a ser repórteres locais, geralmente radialistas, em áreas rurais, em mercados menores. Há um risco maior para eles, especialmente se estiverem fazendo reportagens sobre atividades do governo, corrupção, crime organizado”, salienta Southwick.

    Fonte: G1

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    Taciano Cassimiro
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    Jornalista (MTE 3190/PA) e bacharel em Teologia. Possui pós-graduações em História do Brasil, Direito Político e Eleitoral, Jornalismo Político, História da América, Ciência Política, Relações Internacionais e Comunicação em Crises Internacionais, além de um MBA Executivo em Gestão Estratégica de Publicidade e Propaganda. Atualmente, é pós-graduando em Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. É membro do Sindicato dos Jornalistas do Pará (SINJOR) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Alagoano de Maceió, adota o Pará como lar e divide sua paixão pelo futebol entre o CSA, Vasco da Gama e Paysandu.

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