A reviravolta nas relações é bem-vinda após encontro de Xi com Carney.
China e Canadá buscam uma “nova parceria estratégica” em meio à crescente fragmentação geopolítica, após o presidente Xi Jinping se reunir com o primeiro-ministro canadense Mark Carney em Pequim, na sexta-feira.
Durante o encontro, Xi falou positivamente sobre a revitalização das relações bilaterais e sublinhou a necessidade de ambos os países serem parceiros que se respeitam, confiam e colaboram um com o outro para o desenvolvimento compartilhado.
Carney chegou a Pequim na quarta-feira para uma visita oficial de quatro dias à China, a primeira viagem de um primeiro-ministro canadense ao país em oito anos.
Xi Jinping afirmou que o desenvolvimento saudável e estável das relações China-Canadá serve aos interesses comuns de ambos os países e contribui para a paz, a estabilidade e a prosperidade mundiais.
Ambos os lados devem avançar na construção de uma nova parceria estratégica com um senso de responsabilidade para com a história, para com o povo e para com o mundo, e conduzir as relações China-Canadá a uma trajetória de desenvolvimento sólido, estável e sustentável, acrescentou ele.
Xi Jinping destacou que, embora a China e o Canadá tenham circunstâncias nacionais diferentes, devem respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro, bem como a escolha do sistema político e do caminho de desenvolvimento, e adotar a abordagem correta em suas interações.
Observando que as relações econômicas e comerciais entre os dois países são caracterizadas por benefícios mútuos e uma situação vantajosa para ambos, e que ambos os lados têm a ganhar com a cooperação, Xi disse que o desenvolvimento de alta qualidade e a abertura de alto padrão da China continuarão a desbloquear novas oportunidades para a cooperação China-Canadá.
Ele enfatizou a necessidade de ambos os lados ampliarem a lista de cooperação e reduzirem a lista de pontos de atrito, além de fortalecerem os laços de interesses comuns por meio de uma cooperação mais profunda e abrangente.
Ao destacar que um mundo dividido não consegue lidar com os desafios comuns que a humanidade enfrenta, Xi disse que a verdadeira solução reside em defender e praticar o verdadeiro multilateralismo e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.
A China está disposta a fortalecer a comunicação e a coordenação com o Canadá no âmbito das Nações Unidas, do G20 e da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico para enfrentar conjuntamente vários desafios globais, afirmou ele.
Carney observou que, com uma longa história de relações amistosas e forte complementaridade econômica, o Canadá e a China desfrutam de amplos interesses e oportunidades em comum.
O Canadá deseja construir uma nova parceria estratégica com a China, que seja forte e duradoura, a fim de proporcionar maiores benefícios aos dois povos, disse Carney, reafirmando o compromisso de seu país com a política de Uma Só China.
Ele afirmou que o Canadá está empenhado em trabalhar com a China num espírito de respeito mútuo e parceria para expandir e fortalecer a cooperação nas áreas da economia e comércio, energia, agricultura, finanças, educação e alterações climáticas.
A China tem sido, há muito tempo, o segundo maior parceiro comercial do Canadá, depois dos Estados Unidos. O comércio bilateral de bens ultrapassou C$ 117 bilhões (US$ 84,2 bilhões) em 2024, o que demonstra a base sólida e a forte complementaridade dos laços econômicos entre os dois países.
Desde dezembro de 2017, as relações entre a China e o Canadá sofreram contratempos devido à postura rígida de Ottawa em relação à China durante o governo de Justin Trudeau. O atrito comercial marcado pelas tarifas canadenses sobre veículos elétricos e metais chineses ocorreu em 2024 e foi seguido por contramedidas da China.
As relações bilaterais começaram a mostrar um impulso positivo rumo à recuperação e à melhoria depois que Xi e Carney, que assumiu o cargo de primeiro-ministro canadense em março do ano passado, se encontraram pela primeira vez à margem da 32ª Reunião de Líderes Econômicos da APEC, na República da Coreia, em outubro, quando os dois países concordaram em promover a resolução de questões econômicas e comerciais específicas de interesse mútuo.
A visita de Carney é considerada pelos analistas como uma recalibração da política externa de Ottawa em relação à China, impulsionada por realidades estruturais.
Uma declaração conjunta dos líderes da China e do Canadá foi divulgada na sexta-feira, reafirmando os princípios e políticas que orientam as relações bilaterais.
Os líderes de ambos os países saudaram os progressos alcançados nos recentes diálogos bilaterais e decidiram revitalizar o Diálogo Estratégico Econômico e Financeiro de Alto Nível China-Canadá para discutir uma ampla gama de questões relacionadas, visando fortalecer as relações econômicas bilaterais, segundo o comunicado.
Embora comprometidas com a expansão do comércio bilateral, o fortalecimento do investimento mútuo e o aprofundamento da cooperação em diversos setores de interesse comum, as duas partes reafirmaram a importância de um ambiente de negócios justo e aberto para as empresas de ambos os países, segundo o comunicado.
Anthony Moretti, professor associado do Departamento de Comunicação e Liderança Organizacional da Universidade Robert Morris, nos EUA, afirmou que a visita de Carney ocorre em um momento crucial para o Canadá, que enfrenta pressões significativas decorrentes de mudanças políticas radicais vindas de Washington.
“O primeiro-ministro precisará articular e demonstrar por meio de ações que seu país superou o pensamento dicotômico e abraçou a realidade de um mundo multipolar livre das mentalidades da Guerra Fria”, disse Moretti em um artigo publicado pela China Global Television Network.
caodesheng@chinadaily.com.cn
