Presidente do Republicanos diz ter alertado Hugo Motta sobre riscos da proposta; para deputado, falta de dinheiro para lazer pode expor trabalhadores a drogas e jogos
O deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, manifestou forte oposição à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar revelou ter aconselhado o presidente da Câmara, Hugo Motta (seu correligionário), a não avançar com o tema, especialmente em um ano eleitoral.
Argumentos econômicos e sociais Pereira fundamenta sua contrariedade em dois pilares. No econômico, cita notas técnicas do setor produtivo que indicam um aumento nos custos e perda de competitividade das empresas brasileiras. No social, o deputado causou polêmica ao associar o tempo livre à vulnerabilidade social. Segundo ele, como a população mais pobre não teria recursos financeiros para o lazer, o aumento das folgas poderia ser prejudicial.
“O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, questionou Pereira durante a entrevista.
Contexto Político A fala do presidente do Republicanos ocorre em um momento de pressão popular pela redução da jornada de trabalho. Hugo Motta, que busca manter o protagonismo da Câmara sobre o tema para evitar que o governo dite o ritmo da proposta, sinalizou que a votação na comissão especial pode ocorrer até maio.
Apesar da resistência, Pereira admitiu que o ano eleitoral torna o debate “sensível”, pois os parlamentares temem o desgaste com o eleitorado caso votem contra uma medida que goza de amplo apoio nas redes sociais. Ele reforçou, no entanto, sua visão liberal, defendendo que “quanto mais trabalho, mais prosperidade”.
