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    Campanha eleitoral em SP é marcada por aglomerações, apertos de mão de eleitores e mau uso da máscara

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV14 de novembro de 2020 NOTÍCIAS
    Campanha eleitoral em SP é marcada por aglomerações, apertos de mão de eleitores e mau uso da máscara
    Campanha eleitoral em SP é marcada por aglomerações, apertos de mão de eleitores e mau uso da máscara
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    Candidatos à Prefeitura de SP relatam dificuldade em cumprir as normas e protocolos de segurança contra o coronavírus durante a campanha pelas ruas da cidade.

    A campanha eleitoral em São Paulo foi marcada por desrespeito às regras de prevenção à Covid-19. Durante as agendas nas ruas, os candidatos cumprimentaram os eleitores com as mãos, não fizeram uso correto da máscara e por diversas vezes provocaram aglomerações.

    Ao G1, os candidatos à Prefeitura de São Paulo relataram dificuldades para realizar a campanha eleitoral de 2020 em meio à pandemia e cumprirem as regras de segurança determinadas pelas autoridades sanitárias para evitar a propagação da doença.

    Celso Russomanno (Republicanos), Márcio França (PSB) e Joice Hasselmann (PSL), por exemplo, foram flagrados frequentemente pelas câmeras sem máscaras durante agendas, tanto nas ruas quanto em ambientes fechados com grande número de pessoas.

    O candidato do PSB, Márcio França, admitiu que, “algumas vezes”, tirou a máscara para falar com o público, devido, segundo ele, “ao entusiasmo do momento”.

    “Certamente é a campanha mais difícil que já fiz. Fiz muitas, mas nessa você olha para as pessoas e vê a angústia, porque eles não tão compreendendo, porque a gente com máscara não consegue expressar todo o sentimento, a sua fala. Muitas vezes não dá nem para compreender o que a pessoa está falando com máscara”, disse França.

    França disse que costuma cumprimentar as pessoas só com um ‘soquinho’. “Só que eles nos abraçam, querem conversar. Se você repulsa aquele abraço, aquele cumprimento, a sensação é diferente, dá a impressão que você está desprezando a pessoa”, defendeu.A médica sanitarista Ana Freitas Ribeiro, que integra o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, conta que ficou preocupada com a campanha deste ano, em especial por conta das aglomerações provocadas durante as agendas nas ruas.

    “A principal forma de transmissão do vírus SARS-COV-2 é respiratória, a partir de gotículas expelidas pelos doentes durante a tosse, espirro e fala. Pessoas próximas até dois metros podem se infectar”, afirmou a médica.

    “Pessoas que estão se deslocando devem usar sempre a máscara e lavagem de mãos frequentemente, além de terem cuidado ao retirar a máscara e colocá-la novamente no rosto, pois pode se infectar”, explicou ela.

    Máscara transparente

    Celso Russomanno (Republicanos) usa máscara transparente com válvula em Cidade Tiradentes, Zona Leste de SP. — Foto: Walace Lara/TV Globo

    O candidato Celso Russomanno foi visto diversas vezes usando uma máscara transparente com válvulas de respiração.

    Pesquisas divulgadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, porém, não recomendam o modelo, por entender que ele expira para o ambiente o ar contaminado, caso você esteja com a doença.

    O levantamento foi divulgado no Brasil pelo pesquisador Marcel Ribeiro-Dantas, que integra o Instituto Curie, fundação de utilidade pública da França.

    O candidato alegou que optou pelo modelo em “respeito” a deficientes auditivos, possibilitando que esse público possa ver seus lábios e, dessa forma, entender o que ele diz.

    “O uso da máscara máscara transparente, é uma máscara de inclusão, o uso é feito em respeito às pessoas com deficiência e que se utilizam da leitura labial para conseguir entender o que está se passando”, disse Russomanno.

    O candidato também disse ter tido dificuldades em conter a aproximação do público. Segundo a assessoria de imprensa do candidato, “as pessoas adoram, confiam e querem se aproximar” de Russomanno, que “tenta evitar ao máximo, mas esse contato acaba acontecendo”.

    Russomanno ainda defendeu não ser o único a ter dificuldades em manter o distanciamento. “Os outros candidatos estão enfrentando o mesmo problema”.

    A candidata do PSL, Joice Hasselmann, disse que, como já tinha contraído o vírus, não precisaria usar a máscara.

    “Eu já tive a doença, já tive Covid, e faço exames com frequência para saber se permaneço imunizada e permaneço imunizada, por conta disso eu não estou mais no grupo que pega ou que passa. Porém, tenho feito o monitoramento constante”, disse ela.

    A candidata também falou sobre alguns eleitores que não usaram o equipamento de proteção, e disse que não tinha como “exigir” o uso.

    “Não tem como exigir máscara de quem não tem nem arroz e feijão em casa, a gente precisa ter uma noção da realidade do que é esse país chamado São Paulo”, acrescentou ela.

    “É natural que as pessoas, em uma campanha política, queiram olhar seu rosto, queiram conversar, querem abraçar, querem trocar um pouco de carinho”, disse Joice.

    Panfletagem

    O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, durante panfletagem na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo. — Foto: Phillipe Guedes/TV Globo

    Boulos (PSOL) e Antonio Candido (PCO) estavam sempre de máscara nas agendas, mas fizeram panfletagem, o que, segundo especialistas, pode ser um fator de risco para contaminação de coronavírus.

    “É possível que o vírus da Covid-19 sobreviva em superfícies, como papel, por 24 horas, e plástico, por até 3 dias. Assim que o indivíduo tocar em qualquer superfície ou papel ou outro material, ele deve lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool a 70%”, alerta a médica sanitarista do Emílio Ribas.

    A epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP), Márcia Furquim, disse que o ideal era que a panfletagem nas ruas tivesse sido evitada.

    “O vírus da Covid é transmitido por gotículas e se colocarmos a mão contaminada no papel há risco, sim. Na verdade, além disso, ao entregar o panfleto, é necessário uma proximidade, e se não estiver de máscara o risco da propagação da doença aumenta”, afirmou ela.

    “É necessário bom senso. Não é das melhores coisas a serem feitas [a panfletagem] durante uma pandemia”, afirma a especialista.

    Questionados sobre o assunto, as campanhas de Boulos e Cândido não se manifestaram.

    O candidato do PSDB, Bruno Covas (PSDB), durante café da manhã nesta quarta-feira (28) em São Paulo. — Foto: Walace Lara/TV Globo

    Bruno Covas (PSDB), em tratamento para o câncer e buscando a reeleição, fez muitas agendas externas, mas sempre com máscara e evitando ficar muito tempo em ambientes fechados com muitas pessoas. Assim como Joice, o atual prefeito também já teve o vírus.

    “Eu gosto de ser político. Exatamente por isso, os momentos mais gratificantes são aqueles em que posso estar no meio do povo, conversando com a população. Mas esse ano, por conta da pandemia, nos vimos obrigados a fazer uma campanha eleitoral totalmente atípica. Foi um desafio, mas que cumprimos com o rigor necessário e seguindo sempre as orientações da ciência”, disse Bruno Covas ao G1 quando questionado sobre as dificuldades da campanha em 2020

    Aglomerações e redes sociais

    Jilmar Tatto (PT) também não conseguiu fugir das aglomerações e, mesmo usando máscara, cumprimentava eleitores com apertos de mão e “soquinhos”.

    “Não temos feito eventos que reúnam um grande número de pessoas, principalmente em locais fechados. Em algumas agendas externas, grupos de militantes se aproximam de Tatto para tirar fotos, mas a equipe garante que todos estejam usando máscara e aplicando álcool em gel nas mãos”, afirmou a assessoria do candidato petista.

    Até o momento, segundo a assessoria do candidato, nenhuma pessoa envolvida na campanha petista foi contaminada pelo vírus. O partido alegou estar sendo “prejudicado pelas condições impostas pela pandemia, uma vez que historicamente é um partido que sai às ruas para dialogar com o povo” e que, para suprir esta “perda”, investiu fortemente em redes sociais neste ano.

    Andrea Matarazzo (PSD), Marina Helou (Rede) e Arthur do Val (Patriotas) reduziram o número de agendas externas com um grande número de pessoas e tentaram visitar locais com pouca gente.

    “Está sendo uma campanha bastante diferente em vários aspectos. Primeiro, você precisa se fazer conhecido, indo aos lugares, e ao mesmo tempo você é obrigado a ficar de máscara, escondendo seu rosto, então a dificuldade das pessoas reconhecerem é grande. Você não pode fazer reuniões e, não podendo fazer reuniões, você fica muito limitado no sentido de expor seu projeto”, disse MatarazzMarina e Matarazzo tiveram agendas externas pontuais, com poucos assessores e buscando cuidados no contato com as pessoas.

    Já Arthur do Val disse que, como é conhecido nas redes sociais, o fato de “não fazer comícios não atrapalhou”, “diferente dos outros candidatos que sempre dependeram da velha política para ganhar os eleitores”, tentou comparar.

    “Eu sou conhecido por causa do canal no Youtube e usei desse meio e das redes sociais para levar meus projetos de campanha até meus seguidores e eleitores”, afirmou o candidato.

       FONTE: G1

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