Muitos acreditam que estudar História é olhar pelo retrovisor de um carro em movimento. No entanto, a História é, na verdade, o próprio mapa da estrada e o combustível do motor. Sem compreendermos as raízes do que somos, tornamo-nos estrangeiros em nossa própria cultura. Nesta palestra, vamos explorar desde as definições fundamentais dessa ciência até as cicatrizes deixadas pela destruição do conhecimento, entendendo por que o passado é a chave mestre para decifrar os enigmas do nosso futuro.
1. Definições: O que é História?
A história não é o passado, mas o que fazemos com ele.
-
A Definição: Segundo Marc Bloch (em Apologia da História), a história é a “ciência dos homens no tempo”. Não se trata apenas de datas, mas da análise das ações humanas sob a perspectiva da mudança e continuidade.
-
Outra Perspectiva: Edward H. Carr (O que é História?) a define como um “processo contínuo de interação entre o historiador e seus fatos, um diálogo sem fim entre o presente e o passado”.
-
Fonte sugerida: Apologia da História ou o Ofício de Historiador, Marc Bloch.
2. A Importância de se Estudar História
Estudar história é adquirir uma “bússola” para o presente.
-
Consciência de Identidade: Entender como as instituições, leis e culturas foram moldadas.
-
Alfabetização Política: Reconhecer padrões de poder, ascensão de regimes e lutas por direitos.
-
Desnaturalização do Presente: Perceber que as coisas não são “como sempre foram”; elas foram construídas e, portanto, podem ser transformadas.
-
Autores/Fontes: Eric Hobsbawm (Sobre História).
3. Os Desafios ao Estudar História
O historiador não é um juiz, mas um investigador de vestígios.
-
A Subjetividade: O historiador é filho de seu tempo e carrega seus próprios valores para a pesquisa.
-
A Fragmentação das Fontes: O passado nos deixou apenas “cacos”. Muitos grupos (mulheres, escravizados, pobres) foram silenciados nas fontes oficiais.
-
Distanciamento: Evitar o anacronismo (julgar o passado com a régua moral do presente).
-
Autores/Fontes: Fernand Braudel (conhecido pela teoria da “Longa Duração”).
4. Os Perigos do Revisionismo Histórico
É preciso distinguir a Revisão (saudável, baseada em novas provas) do Revisionismo Negacionista (perigoso, baseado em ideologia).
-
O Perigo: A distorção deliberada de fatos para validar agendas políticas atuais.
-
Exemplos:
-
Negacionismo do Holocausto: A tentativa de minimizar ou negar o genocídio nazista.
-
Mito da “Escravidão Suave”: Revisões que tentam amenizar a brutalidade da escravidão no Brasil.
-
-
Autores/Fontes: Deborah Lipstadt (Denying the Holocaust).
5. Biblioclastia: Os Danos das Guerras e da Religião
A destruição sistemática do conhecimento é uma tentativa de apagar a identidade de um povo.
-
Queima de Livros e Arte:
-
Biblioteca de Alexandria: Múltiplas destruições ao longo de conflitos e fanatismo religioso, resultando na perda incalculável de textos clássicos.
-
Inquisição e Códices Maias: O bispo Diego de Landa queimou quase todos os códices maias por considerá-los “superstição do demônio”, apagando séculos de ciência e história.
-
A Queima de Livros Nazista (1933): Milhares de obras “degeneradas” (de autores judeus, comunistas ou pacifistas) foram incineradas em praça pública.
-
-
Autores/Fontes: Fernando Báez (História Universal da Destruição de Livros).
6. Ainda é Preciso Estudar o Passado?
O encerramento deve provocar a reflexão sobre o futuro.
-
Prevenção: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo” (George Santayana).
-
Humanismo: Em uma era de algoritmos e rapidez, a história nos devolve a humanidade, mostrando a complexidade da nossa existência.
-
Conclusão: O passado não está morto; ele nem sequer passou. Estudar história é a única forma de não sermos escravos de heranças que não compreendemos.
-
Sugestão de Documentário: O Mundo em Guerra (World at War).