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    Palestra: O Fio de Ariadne – Navegando pelo Tempo e pela Memória

    Taciano CassimiroTaciano Cassimiro11 de fevereiro de 2026 PORTAL DA HISTÓRIA
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    Palestra: O Fio de Ariadne – Navegando pelo Tempo e pela Memória
    Muitos acreditam que estudar História é olhar pelo retrovisor de um carro em movimento. No entanto, a História é, na verdade, o próprio mapa da estrada e o combustível do motor. FOTO: TN BRASIL TV
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    Muitos acreditam que estudar História é olhar pelo retrovisor de um carro em movimento. No entanto, a História é, na verdade, o próprio mapa da estrada e o combustível do motor. Sem compreendermos as raízes do que somos, tornamo-nos estrangeiros em nossa própria cultura. Nesta palestra, vamos explorar desde as definições fundamentais dessa ciência até as cicatrizes deixadas pela destruição do conhecimento, entendendo por que o passado é a chave mestre para decifrar os enigmas do nosso futuro.

    1. Definições: O que é História?

    A história não é o passado, mas o que fazemos com ele.

    • A Definição: Segundo Marc Bloch (em Apologia da História), a história é a “ciência dos homens no tempo”. Não se trata apenas de datas, mas da análise das ações humanas sob a perspectiva da mudança e continuidade.

    • Outra Perspectiva: Edward H. Carr (O que é História?) a define como um “processo contínuo de interação entre o historiador e seus fatos, um diálogo sem fim entre o presente e o passado”.

    • Fonte sugerida: Apologia da História ou o Ofício de Historiador, Marc Bloch.

    2. A Importância de se Estudar História

    Estudar história é adquirir uma “bússola” para o presente.

    • Consciência de Identidade: Entender como as instituições, leis e culturas foram moldadas.

    • Alfabetização Política: Reconhecer padrões de poder, ascensão de regimes e lutas por direitos.

    • Desnaturalização do Presente: Perceber que as coisas não são “como sempre foram”; elas foram construídas e, portanto, podem ser transformadas.

    • Autores/Fontes: Eric Hobsbawm (Sobre História).

    3. Os Desafios ao Estudar História

    O historiador não é um juiz, mas um investigador de vestígios.

    • A Subjetividade: O historiador é filho de seu tempo e carrega seus próprios valores para a pesquisa.

    • A Fragmentação das Fontes: O passado nos deixou apenas “cacos”. Muitos grupos (mulheres, escravizados, pobres) foram silenciados nas fontes oficiais.

    • Distanciamento: Evitar o anacronismo (julgar o passado com a régua moral do presente).

    • Autores/Fontes: Fernand Braudel (conhecido pela teoria da “Longa Duração”).

    4. Os Perigos do Revisionismo Histórico

    É preciso distinguir a Revisão (saudável, baseada em novas provas) do Revisionismo Negacionista (perigoso, baseado em ideologia).

    • O Perigo: A distorção deliberada de fatos para validar agendas políticas atuais.

    • Exemplos:

      1. Negacionismo do Holocausto: A tentativa de minimizar ou negar o genocídio nazista.

      2. Mito da “Escravidão Suave”: Revisões que tentam amenizar a brutalidade da escravidão no Brasil.

    • Autores/Fontes: Deborah Lipstadt (Denying the Holocaust).

    5. Biblioclastia: Os Danos das Guerras e da Religião

    A destruição sistemática do conhecimento é uma tentativa de apagar a identidade de um povo.

    • Queima de Livros e Arte:

      1. Biblioteca de Alexandria: Múltiplas destruições ao longo de conflitos e fanatismo religioso, resultando na perda incalculável de textos clássicos.

      2. Inquisição e Códices Maias: O bispo Diego de Landa queimou quase todos os códices maias por considerá-los “superstição do demônio”, apagando séculos de ciência e história.

      3. A Queima de Livros Nazista (1933): Milhares de obras “degeneradas” (de autores judeus, comunistas ou pacifistas) foram incineradas em praça pública.

    • Autores/Fontes: Fernando Báez (História Universal da Destruição de Livros).

    6. Ainda é Preciso Estudar o Passado?

    O encerramento deve provocar a reflexão sobre o futuro.

    • Prevenção: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo” (George Santayana).

    • Humanismo: Em uma era de algoritmos e rapidez, a história nos devolve a humanidade, mostrando a complexidade da nossa existência.

    • Conclusão: O passado não está morto; ele nem sequer passou. Estudar história é a única forma de não sermos escravos de heranças que não compreendemos.

    • Sugestão de Documentário: O Mundo em Guerra (World at War).

    historia memória O Fio de Ariadne
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    Taciano Cassimiro
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    Taciano Cassimiro (MTE 3190/PA), bacharel em Teologia e licenciado em História. Possui pós-graduações em História do Brasil, Direito Político e Eleitoral, Jornalismo Político, História da América, Ciências Políticas, Relações Internacionais e Comunicação em Crises Internacionais, além de um MBA Executivo em Gestão Estratégica de Publicidade e Propaganda. Atualmente, especializa-se em Relações Públicas e Assessoria de Imprensa, e cursa pós-graduações em jornalismo investigativo; Direito Civil e Direito Processual Civil; Ciências Criminais. Filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Pará (SINJOR) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), é natural de Maceió (AL) e adotou o Pará como lar. Fora do jornalismo e da análise política, divide sua paixão pelo futebol entre o CSA, o Vasco da Gama e o Paysandu.

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