“Toma cuidado, nego. Malandragem boa é Malandragem de Mulher.”
A chamada “malandragem”, para além da ideia de esperteza, pode ser compreendida como resistência diante das desigualdades. Para muitas mulheres, historicamente excluídas, sobreviver sempre exigiu estratégia, adaptação e coragem.
A “malandragem de mulher” revela uma inteligência prática: a capacidade de negociar, enfrentar e resistir em uma sociedade ainda marcada pelo patriarcado. Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer a força construída na necessidade.
Na cultura popular brasileira, a figura de Maria Navalha simboliza essa resistência. Presente nas tradições afro-brasileiras e na umbanda, ela representa a mulher que enfrenta a marginalização com astúcia e autonomia. A “navalha”, aqui, não é apenas defesa é sobrevivência.
Mas, se por um lado avançamos, por outro, a realidade insiste em nos lembrar do quanto ainda falta. Os casos de feminicídio seguem crescendo e ocupando diariamente os noticiários, revelando uma violência estrutural que atinge mulheres em seus próprios lares espaços que deveriam ser de proteção.
Nesse cenário, a existência de mecanismos como a Lei Maria da Penha representa um marco fundamental, mas também evidencia um desafio a efetivação desses direitos.
Entre a navalha e a lei, existe uma história de resistência. Se antes a sobrevivência dependia apenas da estratégia, hoje também se apoia no direito ainda insuficiente diante de tantas vidas interrompidas.
Porque, no Brasil de hoje, resistir continua sendo mais do que um ato político.
É, para muitas mulheres, uma questão de sobrevivência.
