Se você olhar ao seu redor agora, o cobre provavelmente está lá: nos fios que levam energia à sua casa ou nos circuitos do seu celular. No Direito Minerário, observamos uma mudança de paradigma: o Pará não é mais apenas o “Estado do ferro“. Estamos nos transformando no principal hub de minerais críticos do planeta, impulsionados por uma sede global por tecnologia e sustentabilidade que coloca nosso solo no centro da geopolítica mundial.
Essa valorização tem dois motores principais: o carro elétrico e a Inteligência Artificial (IA). Um veículo elétrico utiliza até quatro vezes mais cobre do que um carro comum, e os gigantescos centros de dados que processam as IAs exigem uma infraestrutura elétrica massiva. Sem o metal que sai de solo paraense, a revolução digital e a descarbonização do planeta simplesmente param. O cobre é, hoje, o “novo petróleo”.
Para o Pará, isso se traduz em investimentos bilionários, como os R$ 70 bilhões previstos pela Vale até 2030 no programa “Novo Carajás”. Do ponto de vista jurídico, esse crescimento deve gerar um aumento significativo na arrecadação de royalties (CFEM). Se bem geridos, esses recursos têm o potencial de transformar a infraestrutura e os serviços públicos das cidades mineradoras, criando um ciclo de desenvolvimento que vai além da extração.
No entanto, como advogada, reforço que esse progresso exige responsabilidade socioambiental (ESG). Não basta extrair; é preciso garantir que os licenciamentos sejam rigorosos e que as comunidades locais participem dos benefícios econômicos. O futuro em 2026 pede “minas inteligentes” que utilizem tecnologia para reduzir o impacto ambiental, garantindo que a riqueza mineral se transforme em um legado social duradouro para o nosso povo.
Referências:
- IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração): Relatório de Desempenho do Setor Mineral – Dados consolidados de 2025/2026.
- Agência Brasil: Planejamento de investimentos da Vale para o complexo de Carajás (2025-2030).
Brenda Brito, Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará-UNIFESSPA, Pós-graduada em Direito Minerário e Ambiental pela Faculdade FACUMINAS, Advogada atuante desde 2017.

