Como o poder político utiliza líderes religiosos e discursos moralistas para manter privilégios e submeter a população, enquanto a resistência popular persiste.
Religião associada à política é parceria antiga. Do Egito dos Faraós ao Brasil de nossos dias, o poder político e religioso sempre uniu forças para manter seus privilégios. No Egito, uma monarquia teocrática, os sacerdotes legitimavam o Faraó e, em troca, o Estado doava terras, ouro e isenções aos grandes templos. Os templos funcionavam como centros de poder; o povo acreditava nos sacerdotes — responsáveis pelos rituais que garantiriam o transbordar do rio Nilo, trazendo colheita e fertilidade —, o que tornava a população submissa ao poder político e religioso.
No Brasil, forças políticas conseguiram adentrar os arraiais cristãos sem muito esforço, precisando usar o moralismo e o messianismo. Mas é claro que precisaram — e ainda precisam — dos líderes religiosos, geralmente ricos, para conduzir os fiéis em direção a esse projeto de poder autoritário, mentiroso e destruidor de garantias. É evidente que esses líderes, em conluio com forças políticas, sempre se beneficiam; o povo, não.
Entretanto, é importante enfatizar que servos e servas de Deus não se curvaram diante dessas forças político-religiosas opressoras. Mesmo debaixo de ameaças, mantêm a integridade de sua fé e de suas consciências, votando de acordo com seu entendimento, baseados na realidade histórica e nas transformações que viram ocorrer no país nos últimos anos.
