A instabilidade institucional marcou a trajetória republicana do país, enquanto o debate sobre os anos sob as gestões de esquerda polariza a história política.
A Proclamação da República, em 1889, inaugurou no Brasil um longo ciclo de instabilidade institucional, marcado por quarteladas, revoltas armadas, rupturas constitucionais e tentativas frequentes de desestabilização do poder central. A história republicana brasileira revela que a democracia tem sido uma conquista de vigília constante, testada por crises cíclicas.
Ao longo de mais de um século, o país contabiliza diversos episódios de golpes e contragolpes. Desde a República da Espada (1889-1894), passando pela Revolução de 1930 que depôs Washington Luís, o autogolpe do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937), as crises que culminaram no suicídio de Vargas em 1954, as tentativas de impedir posses presidenciais até o Golpe Militar de 1964 — que instaurou uma ditadura de 21 anos —, a ordem democrática enfrentou sucessivas interrupções. Mesmo após a redemocratização e a Constituição de 1988, o país seguiu lidando com tensionamentos e episódios de contestação da legalidade.
Paralelamente, o debate político contemporâneo dimensiona o tempo em que diferentes correntes estiveram à frente do Palácio do Planalto. Desde 1889, somando as gestões federais associadas à esquerda e centro-esquerda — como os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff —, o campo progressista acumula aproximadamente 16 anos de governo central na história republicana (contabilizados até o ano corrente de 2026).
Cronologia
1891 (Golpe de Estado): O Marechal Deodoro dissolveu o Congresso e decretou estado de sítio; após forte resistência, renunciou.
1930 (Golpe de Estado): Movimento armado depôs Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes, encerrando a República Velha.
1937 (Autogolpe): Getúlio Vargas cancelou as eleições, fechou o Congresso e instaurou o Estado Novo.
1945 (Queda do Estado Novo): As Forças Armadas exigiram a renúncia de Getúlio Vargas, encerrando o regime.
1954 (Crise Institucional): Forte pressão militar culminou no suicídio de Getúlio Vargas e em grave crise política.
1955 (Contragolpe Preventivo): O General Lott garantiu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek contra resistências.
1961 (Crise da Renúncia): Ministros militares tentaram vetar a posse de João Goulart após a saída de Jânio Quadros; a crise resultou no parlamentarismo temporário.
1964 (Golpe Militar): Deposição de João Goulart por articulação político-militar, iniciando 21 anos de regime autoritário.
2023 (Tentativa de Ruptura): Invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília para contestar o resultado eleitoral.

