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    Juventude sem tempo não escolhe: o alerta que vem da Caravana da Juventude

    Dra. Carla CrispinDra. Carla Crispin29 de abril de 2026 Carla Crispin
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    Juventude sem tempo não escolhe: o alerta que vem da Caravana da Juventude
    Trabalho não pode roubar o futuro. - Foto: Reprodução
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    Em Rurópolis, uma parte significativa da juventude vive uma realidade marcada pela dupla jornada: trabalho durante o dia e estudo à noite. São jovens que, mesmo exaustos, seguem em busca de formação e melhores oportunidades, revelando um desafio estrutural importante — o tempo da juventude tem sido amplamente consumido pelo trabalho, limitando o acesso à educação e à qualificação.

    Embora o trabalho seja um direito fundamental, ele não pode inviabilizar outros direitos igualmente essenciais. Jornadas exaustivas reduzem as possibilidades de desenvolvimento pessoal e profissional, impedindo que muitos jovens tenham acesso a cursos, formação e planejamento de futuro.

    Neste sentido, se torna necessário ampliar o debate sobre as condições de trabalho da juventude. Pensar em alternativas que reduzam jornadas exaustivas, como a escala 6×1, significa discutir diretamente qualidade de vida, tempo de estudo, formação e desenvolvimento pessoal dos jovens. Não se trata apenas de trabalho, mas de garantir que o trabalho não elimine o direito ao futuro.

    Nesse cenário, especialmente entre jovens mulheres e mães solo, a realidade se torna ainda mais desafiadora. Conciliar trabalho, estudo e cuidado com os filhos exige uma sobrecarga diária, que muitas vezes inviabiliza a permanência na escola e o acesso à qualificação. É nesse ponto que o debate sobre a redução de jornadas exaustivas também se relaciona diretamente com qualidade de vida, tempo com a família e condições reais de desenvolvimento. Mais do que uma discussão trabalhista, trata-se de refletir sobre tempo, dignidade e futuro.

    É nesse contexto que a Caravana da Juventude se insere como uma ação de conscientização e fortalecimento de direitos. A escolha de iniciar a Caravana pelas turmas da noite na Escola Estadual Gov. Eurico Valle não foi por acaso — foi um posicionamento. A iniciativa levou às escolas debates sobre direitos da juventude, cidadania e políticas públicas, com base no Estatuto da Juventude, além de orientações sobre saúde mental, participação política e social, segurança pública e rede de proteção social, destacando a atuação do CRAS e do CREAS no município.

    Juventude sem tempo não escolhe: o alerta que vem da Caravana da Juventude
    A Caravana das Juventudes chegou para fortalecer direitos, levar informação e abrir caminhos para o futuro! – Foto: Reprdução

    Também foram discutidas situações de violência contra meninas e mulheres, destacando que essas violências muitas vezes começam de forma silenciosa, por meio do controle e limitação da liberdade, reforçando a importância da prevenção e da informação.

    A ação também reforçou a necessidade de criação de um Conselho Municipal de Juventude, como instrumento de participação social e fiscalização das políticas públicas, fortalecendo a voz dos jovens nas decisões do município.

    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rurópolis possui uma população majoritariamente jovem, especialmente entre 15 e 29 anos, o que também se reflete no eleitorado jovem, um grupo com real capacidade de influência política e social.

    A Caravana da Juventude, realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Secretaria de Trabalho e Assistência Social, com o Poder Judiciário e a Polícia Civil, representou um marco importante para Rurópolis, consolidando o primeiro movimento estruturado voltado às políticas públicas de juventude no município.

    Mais do que uma ação pontual, trata-se de um despertar institucional e social, que reforça o compromisso com a formação, proteção e futuro dos jovens.

    Por fim, garantir os direitos das juventudes — no plural — significa assegurar acesso ao trabalho, educação, qualificação e oportunidades de desenvolvimento. Quando isso não ocorre, muitos jovens acabam na condição de “nem-nem” (nem estudam, nem trabalham). Dados do IBGE apontam que cerca de 20% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos estão nessa situação, o que reforça a urgência de políticas públicas integradas e efetivas, capazes de garantir permanência na escola, acesso à qualificação e inserção produtiva.

    caravana CRAS CREAS ibge polícia civíl
    Carla Naiza Crispin
    Dra. Carla Crispin
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    Advogada, ex-Vereadora, ex-Gestora de Juventude do Governo do Pará, Carla também atuou como Presidente Regional do Fórum Nacional de Gestores de Juventude e Vice Presidente do Conselho Estadual de Juventudes Paraense.

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