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    Para quem realmente conhece a história, o golpe de 1964 e a ditadura militar são indefensáveis

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV31 de março de 2019 PORTAL DA HISTÓRIA
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    Fotografia histórica em preto e branco mostrando manifestantes e policiais de capacete em meio a um protesto político, com a frase "DITADURA ASSASSINA" pichada em um muro ao fundo.
    FProtesto histórico contra o regime militar exibe a pichação "Ditadura Assassina" em meio a confronto com forças de segurança. / Foto: Reprodução
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    1964: A Marcha, o Golpe e o Fim da Legalidade

    1. A quebra da legalidade e a marcha sobre o Rio

    Há exatos 55 anos, o general Olympio Mourão Filho, comandante da 4a. Região Militar de Minas Gerais, cansou de esperar. Sem combinar com ninguém, botou a tropa na rua e marchou sobre o Rio. Contava com o apoio do governador de Minas, Magalhães Pinto.

    A deposição de Jango já estava decidida, e os chefes da conspiração, como os generais Castello Branco e Costa e Silva, apenas esperavam a melhor ocasião. Diante da atitude intempestiva de Mourão, saíram da concha, e tomaram as rédeas do movimento.

    2. A resistência frustrada e a posse questionável

    Jango estava no Rio, cujo governador, Carlos Lacerda, era parte da conspirata, de modo que voltou para a capital para organizar a resistência. Não conseguiu, e seguiu para o Rio Grande do Sul, onde o ex-governador, seu cunhado Leonel Brizola, e o comandante do III Exército, Ladário Teles, defendiam a legalidade.

    Em Brasília, o senador Auro de Moura Andrade declarou vaga a presidência. Era um ato inconstitucional, pois o presidente estava em território nacional, o que levou Tancredo Neves, da tribuna, a gritar “canalha! canalha!”. Fingindo seguir o rito constitucional, Auro deu posse ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, mas o poder de fato pertencia a uma junta militar.

    3. O exílio e a manobra parlamentar

    Jango chegou à conclusão de que resistir implicaria um derramamento de sangue inútil, e partiu para o exílio. A junta militar baixou o Ato Institucional, adiando a eleição de 1965, cassando mais de 100 pessoas, e garantindo o direito de cassar qualquer um contrário ao novo regime.

    Ameaçados de cassação, os congressistas fizeram uma eleição de araque, sem qualquer respaldo constitucional, para dar ares de legalidade ao que era um fato consumado, e elegeram Castello presidente.

    4. Fatos, contexto da Guerra Fria e opiniões

    O que se narrou acima são fatos. Daqui pra frente, são opiniões.

    Jango vivia cercado de esquerdistas, visitava países comunistas, defendia a estatização de empresas estrangeiras. As reformas de base que propunha assustavam. Não era comunista, mas era o tempo da Guerra Fria, e medo é medo.

    5. O clima da época e a busca pelo arbítrio indefensável

    Jango era um presidente irresponsável, com um discurso incendiário, que estimulava a quebra da hierarquia militar. A situação do país era caótica. Muita gente boa, democrática, bem intencionada, achou que o país estava à beira do abismo e que o golpe era preferível àquilo. Ou seja, o apoio ao golpe era defensável.

    O que não é defensável é dizer que não houve golpe ou apoiar o que veio em seguida: 21 anos de arbítrio, censura, prisões arbitrárias, exílios, torturas, assassinatos. Tampouco faz sentido acreditar que tudo isso fosse necessário para combater algumas centenas de criminosos mal articulados (que, em 1964, nem eram criminosos).

    Fonte: AS FALAS DA PÓLIS

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