Democracia, Amazônia, diversidade e justiça social: posicionar-se é também defender o país que queremos construir.
Como acadêmica é importante que tenha um posicionamento mesmo que desagrade, esse posicionamento parte de princípios que para mim inegociáveis: democracia, liberdade de expressão, direitos fundamentais, justiça social e respeito à diversidade. Não acredito em uma política construída sobre o ódio, mas no debate de ideias, na responsabilidade coletiva e na capacidade de enxergar além do próprio umbigo.
Sou nortista, amazônida, filha de comunidade ribeirinha. Amo o carimbó, o boto, o boi-bumbá, nossos rios, nossas florestas e a cultura popular que carrega a história do nosso povo. Por isso, não consigo separar minha identidade das minhas convicções políticas. Defender a Amazônia é defender quem vive nela, quem dela tira seu sustento e quem luta para que suas riquezas não sejam exploradas sem que sua população receba os benefícios que merece.
O Brasil possui riquezas naturais extraordinárias, reservas minerais estratégicas e uma biodiversidade que desperta interesses econômicos e geopolíticos no mundo inteiro. Precisamos, sim, de desenvolvimento econômico, investimentos e geração de empregos. Mas também precisamos de soberania nacional, preservação ambiental, distribuição de oportunidades e políticas públicas que alcancem quem historicamente foi esquecido. A questão não é apenas quanto um país produz, mas para quem e a que custo ele se desenvolve.
Também acredito que nenhum agente público deve estar acima da sociedade. Investigações jornalísticas, auditorias e instituições de controle são fundamentais para fiscalizar o poder e proteger o interesse público. Denúncias precisam ser apuradas com seriedade, respeitando o devido processo legal, mas não podemos tratar o questionamento dos poderosos como uma ameaça.
Não acredito em projetos que desprezam a ciência, desvalorizam a cultura, hostilizam a imprensa ou enfraquecem as instituições democráticas. Para mim, patriotismo não é apenas exaltar uma bandeira, mas defender concretamente o povo, o patrimônio nacional, os direitos conquistados e o futuro das próximas gerações.
E não, isso não significa acreditar que todos os que pensam diferente sejam inimigos. A democracia pressupõe pluralidade, diálogo e respeito. Mas respeitar opiniões diferentes não significa abandonar o senso crítico, ignorar fatos ou renunciar aos princípios que consideramos fundamentais.
Como estudante de Direito, acredito que a democracia não se resume ao voto ela também existe na liberdade de questionar, na fiscalização dos governantes, na proteção das minorias e na garantia de que nossos direitos não dependam da conveniência de quem ocupa o poder.
Não escolho pensando apenas em quem governará, mas no projeto de país que está sendo construído. Penso na Amazônia, na cultura popular, na economia, na soberania nacional, nas desigualdades sociais e nas pessoas que tantas vezes são esquecidas quando as decisões são tomadas.
O Brasil não pertence a um político, a um partido ou a uma ideologia. Pertence ao seu povo. E amar este país também significa ter coragem de questionar os rumos que querem dar a ele.
E, sobretudo, não permita que pensem por você.
Porque democracia não é concordar com tudo. É ter liberdade para discordar sem abrir mão da responsabilidade com a verdade, com os direitos e com o bem coletivo. Minha luta é para que você possa discordar de mim.
Dito isso
“Pense, fale, compre, beba. Leia, vote, não se esqueça. Use, seja, ouça, diga. Tenha, more, gaste, viva.”
