Você já imaginou precisar viajar por horas, ou até mais de um dia, em uma pequena embarcação, enfrentando as correntezas do rio e os altos custos do combustível, apenas para buscar um direito básico no fórum ou em qualquer órgão do sistema de justiça mais próximo? Essa é a dura realidade vivida pelos moradores de comunidades como a Costa do Parú, em Óbidos, onde a distância geográfica transforma a busca por justiça em uma jornada exaustiva.
Enquanto o Poder Judiciário avança na modernização e na digitalização dos processos, o isolamento geográfico e a precariedade do acesso à internet nessas regiões acabam criando novos “muros de água”. Na prática, isso significa que muitos ribeirinhos deixam de buscar seus direitos por não conseguirem ser localizados, por não terem meios para acompanhar processos ou, sequer, para encontrar defensores que os orientem.
Essa invisibilidade institucional não apenas marginaliza os povos da floresta, mas também desafia a efetividade das próprias leis. Afinal, de que adianta um direito garantido no papel se ele não consegue chegar até quem mais precisa? Mas o que a luta dessas populações por direitos básicos tem a ver com a sua vida na cidade?

