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    Quando o Khmer Vermelho fez milhões de vítimas no Camboja

    TN BRASIL TVTN BRASIL TV7 de janeiro de 2025 PORTAL DA HISTÓRIA
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    Quando o Khmer Vermelho fez milhões de vítimas no Camboja
    Durante o domínio do Khmer Vermelho, milhões de cambojanos perderam familiares e amigos / Foto: reprodução
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    Texto de David Arioch – Jornalismo Cultural

    Entre os anos de 1975 e 1979, o Camboja, no sudeste asiático, foi governado pelo Khmer Vermelho, como era mais conhecido o Partido Comunista do Kampuchea (Angkar), uma organização política com o compromisso de promover de Norte a Sul do país uma nova engenharia social baseada na reforma agrária e autossuficiência. O problema é que a tentativa foi ineficaz, resultando em fome e miséria para a maior parte da população do Camboja.

    Nesse período, muitos morreram vitimados por doenças que já tinham cura, como a malária, enquanto muitos outros, considerados opositores do governo, foram torturados e executados pelo Khmer Vermelho. Uma das vítimas do genocídio colocado em prática de 1976 a 1978 pelo Partido Comunista foi o empresário do ramo de transportes Kara Doung Sisowath.

    No Camboja massacre contra população
    A reforma política do Khmer Vermelho culminou em genocídio, miséria e fome (Foto: Reprodução)

    De acordo com o cientista político cambojano Chanto Doung Sisowath, Kara Sisowath foi um dos milhões de alvos da política de genocídio do Khmer Vermelho. “Até hoje não consigo entender a razão da execução do meu pai e de todos os outros compatriotas. Ele não era um homem engajado na política, muito menos criminoso. Pelo pouco que me lembro, se tratava de um homem de família, assim como a maior parte dos cambojanos”, afirma Chanto Doung que era criança na capital Phnom Penh, quando o pai foi executado pelo Khmer Vermelho.

    KHMER VERMELHO
    Pol Pot e Leng Sary, dois dos maiores criminosos da História do Camboja (Foto: Reprodução)

    Entre 1970 e 1975, o chefe de família dos Sisowath recebeu muitos convites para deixar o país e começar uma nova vida longe da guerra civil que levaria o Khmer Vermelho ao poder. “Ele era patriota e não quis abandonar o Camboja e desistir da sua empresa de transportes. Meu pai disse que continuaria aqui porque ao final da guerra queria ajudar na reconstrução do país. Infelizmente, o seu patriotismo não foi recebido com gratidão”, declara Chanto Sisowath.

    Logo as atitudes do empresário foram interpretadas como suspeitas pelo Partido Comunista, que não acreditava nas boas intenções de pessoas sem ligação com o Khmer Vermelho. Kara Sisowath foi preso em 1978 e enviado para interrogatório. Um homem chamado Met Chan, conhecido como um contumaz inquiridor, conta que certo dia levaram Sisowath para fora de uma cabana, onde o arrastaram e o espancaram por todo o caminho, até chegarem ao sítio de execuções.

    Antes de ser assassinado, o empresário foi algemado e jogado em um porão que ficava em um antigo templo abandonado, com outros três homens. Nenhum dos prisioneiros recebeu comida por dias. Sisowath estava com o rosto inchado e coberto por hematomas. Muitas de suas costelas foram quebradas pelos violentos golpes diários que o fizeram perder a consciência e a capacidade de articular palavras.

    O empresário chegou a um ponto de sofrimento que não conseguia mais se mover, nem mesmo pedir por clemência. “Na última vez que falou, ele perguntou pela esposa, filho e filha. Imaginei que estivesse preocupado com a família, mesmo quase morto”, confidencia Met Chan que envergonhado pelo próprio passado começou a denunciar as práticas criminosas do partido em 1985.

    Dois dias após o último interrogatório, Kara Sisowath recebeu três golpes com hastes de metal na parte de trás da cabeça. Met Chan preferiu não falar se o empresário morreu naquele momento ou se agonizou por mais algum tempo. “Meu pai foi morto em julho de 1978, cinco meses antes dos vietnamitas invadirem o Camboja e libertarem os prisioneiros do Khmer Vermelho. Hoje em dia, faço questão de ser uma das vozes que falam ao mundo sobre as atrocidades da política do Angkar [como os cambojanos se referiam ao Partido Comunista do Kampuchea]”, enfatiza emocionado o filho e cientista político Chanto Sisowath.

    Durante o domínio do Khmer Vermelho, milhões de cambojanos perderam familiares e amigos. A maioria dos que viveram esse período tem problemas psicológicos e precisam de acompanhamento médico. “Ainda somos uma população assustada”, admite Chanto Doung. Muitos cambojanos talentosos, principalmente intelectuais, optaram por deixar o país, mesmo com o fim da política Angkar, o que foi muito negativo para o Camboja.

    O que o Partido Comunista do Kampuchea fez, sob a liderança de Pol Pot e Leng Sary – dois dos maiores criminosos de guerra do país, jamais deve ser ignorado. “É uma lição monumental para as gerações futuras. Que o mundo evite mais dessas atrocidades, mas, ao mesmo tempo, nunca as esqueça”, ressalta o cientista político.

    Camboja cambojano genocídio Khmer Vermelho norte Partido Comunista Sul
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