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    Violência vicária: quais são as políticas públicas adotadas no Brasil e no Pará?

    Rhana MendesRhana Mendes19 de fevereiro de 2026 JUSTIÇA
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    Violência vicária: quais são as políticas públicas adotadas no Brasil e no Pará?
    Nos últimos meses, casos de grande repercussão nacional evidenciaram a gravidade do problema e reacenderam o debate sobre prevenção e proteção /Imagem: TN
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    Nos últimos meses, o Brasil acompanhou casos que escancaram uma forma cruel de agressão: a violência vicária, quando o agressor atinge filhos ou pessoas próximas para provocar sofrimento emocional à mulher.

    Casos de grande repercussão nacional evidenciaram a gravidade do problema e reacenderam o debate sobre prevenção e proteção.

    Em 2023, um crime ocorrido em Cametá (PA) expôs o impacto devastador desse tipo de violência, quando duas crianças foram mortas pelo próprio pai para atingir a mãe. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, um episódio semelhante foi registrado em Itumbiara (GO), com a morte de dois irmãos após ataque dentro da residência da família. Situações como essas mostram que a violência vicária não é isolada — ela integra o ciclo da violência doméstica e pode culminar em tragédias irreversíveis.

    Apesar da gravidade, o Brasil ainda carece de dados consolidados sobre o tema. O Mapa Nacional da Violência de Gênero passou a divulgar informações específicas apenas a partir de 2024, registrando 904 casos de violência vicária contra brasileiras no exterior em 2023 e 794 em 2024, a maioria na Europa, em disputas de guarda.

    No campo legal, a Lei nº 14.550/2023 alterou a Lei Maria da Penha e reconheceu expressamente a violência vicária, permitindo medidas protetivas de urgência e a suspensão do poder familiar do agressor. Embora não exista um tipo penal específico com essa nomenclatura, a prática pode ser enquadrada em crimes como ameaça, violência psicológica e até homicídio.

    No Pará, a Lei nº 11.281/2025, de autoria da deputada estadual Paula Titan, instituiu diretrizes para conscientização e combate à violência vicária. A norma prevê campanhas educativas, ações preventivas e parcerias institucionais para ampliar a informação e fortalecer a rede de proteção.

    Políticas públicas são fundamentais porque atuam em três frentes: prevenção, acolhimento e responsabilização.

    A denúncia também é passo decisivo para interromper o ciclo da violência.

    A Central de Atendimento à Mulher (180) funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, o 190 deve ser acionado. Também é possível procurar Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) ou registrar denúncia pelo Disque 100, quando houver violação de direitos de crianças e adolescentes.

    Combater a violência vicária é proteger não apenas mulheres, mas também a infância e a própria estrutura familiar. Sem políticas públicas estruturadas, o enfrentamento permanece fragmentado — e o custo social continua alto.

    brasil combate leis Pará VIOLÊNCIA VICÁRIA
    Rhana Mendes
    Rhana Mendes
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    Formada em agronomia, adora músicas e livros de romance, paraense, torcedora do Paysandu.

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