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    10 coisas que você precisa saber sobre a morte de Edson Luis

    Taciano CassimiroTaciano Cassimiro24 de outubro de 2018 PORTAL DA HISTÓRIA
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    10 coisas que você precisa saber sobre a morte de Edson Luis
    Foto: 28/03/1968 / AGÊNCIA GLOBO
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    Dizem que o ano de 1968 ainda não terminou. Cinquenta anos depois, muitas questões colocadas naquela época não foram resolvidas. É por isso que os estudantes brasileiros continuam se lembrando e homenageando o garoto de 17 anos morto naquele 28 de março. Aproveite a Jornada de Lutas Edson Luís para conhecer melhor esta história.

     1. Naquele ano, manifestações e organizações estudantis eram proibidas

    A primeira coisa que os militares fizeram, no dia seguinte ao Golpe Militar de 1964, foi fechar as entidades estudantis e demolir a sede da UBES e da UNE.

    Desde então, foram reprimidos todos os protestos por uma educação pública de qualidade ou que questionassem o regime.

    Mesmo assim, estudantes insistiam na liberdade de expressão. Marcavam protestos relâmpagos, tentavam driblar policiais e agentes infiltrados nos movimentos, apanhavam e resistiam.

    Circulava um “manual do protesto” distribuído pelo Comando Intelectual, com recomendações como “ir em jejum” e usar “leite de magnésia em torno dos olhos, para anular o gás”.

    2. Mataram um estudante comum

    Sabe quando tentam dizer que “na ditadura só morria quem fazia coisa errada”? Pois é. Edson Luís de Souto Lima, 17 anos, saiu de Belém (PA) e só queria cursar a escola técnica no Rio de Janeiro. Era a maior perspectiva de estudos para os pobres, que nem sonhavam com universidade.

    Filho de lavadeira, ele fazia bicos de faxina para se manter e comia no restaurante universitário Calabouço, para jovens de renda baixa.

    3. Morreu por querer assistência estudantil

    Estudantes tentam protestar na frente do Restaurante Calabouço (Acervo O Globo)
    Estudantes tentam protestar na frente do Restaurante Calabouço (Acervo O Globo)

    Edson fazia parte da FUEC – Frente Unida dos Estudantes do Calabouço. No dia em que morreu com um tiro, policiais tentavam reprimir um protesto pelo preço da comida do Calabouço.

    Uma mentira que insistem em repetir sobre a ditadura é que “as escolas eram melhores”. Veja só: em 1969, a Emenda Constitucional número 1 desobrigou o Estado de reverter 12% do PIB para Educação. O percentual caiu de 7,6%, em 1970, para 4,31%, em 1975. Ficou em 5% em 1978. Quem podia começou a ir para escola particular. E ai de quem reclamasse.

    4. Edson não foi o único morto naquele dia

    Benedito Dutra também levou um tiro da polícia militar. Também foi em seguida levado até a Assembleia Legislativa pelos colegas, que temiam que os policiais sumissem com os corpos. Lá, um deputado médico viu que Benedito tinha vida. Ele chegou a ser internado em um hospital, por isso não foi velado com Edson, mas acabou falecendo no dia seguinte.

    5. O Rio de Janeiro parou por um estudante

    Multidão abre caminho para caixão de Edson Luís na Cinelândia, em 29 de março de 1968

    No velório de Edson Luís, pela primeira vez em quatro anos, desde o Golpe de 1964, a população em peso foi às ruas indignada.

    “Mataram um estudante. Podia ser seu filho”. A manchete chocou até a classe média, que compareceu na Cinelândia naquele 29 de março.

    6. Na missa de sétimo dia, policiais cercaram a igreja

    Cenas de horror: na missa de sétimo dia de Edson Luís, a cavalaria da polícia cercava a Candelária

    Incomodado com o levante popular, o Exército baixou medida: “As autoridades não permitirão atos públicos após as missas”. No sétimo dia de Edson Luís, a Igreja da Candelária foi cercada pela cavalaria e os presentes só puderam sair cercados pelos padres.

    7. Depois de Edson Luís, Cem Mil foram às ruas

    Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968. Artistas, intelectuais e clero com estudantes

    O acirramento entre estudantes e Exército só aumentou, com mais protestos relâmpagos e mais violência explícita. A Passeata dos Cem Mil, na Cinelândia, Rio de Janeiro, foi a demonstração de que a sociedade não concordava com isso.

    8. O episódio Edson Luís levou à fase mais tensa da ditadura

    Em vez de permitir a liberdade de expressão e a democracia, sob pressão o regime autoritário se tornou ainda mais cruel. O ano de 1968 terminou com o Ato Institucional número 5 (AI-5): não existiam mais deputados nem Congresso Nacional. E as pessoas estavam proibidas de se reunir, em clubes, sindicatos, até nos próprios lares.

    O regime iria durar nesses termos por mais 17 anos. A UBES não conseguiu atuar nem na ilegalidade por 10 anos, de 1971 a 1981.

    9. O mesmo ano foi decisivo para estudantes de outros lugares do mundo

    Greve na Universidade de Columbia, EUA (Don Hogan Charles – The New York Times)
    Greve na Universidade de Columbia, EUA (Don Hogan Charles – The New York Times)

    É um fenômeno de 1968 a existência de estudantes que contestavam a realidade, acreditavam num mundo diferente e acabaram presos, feridos ou mortos pelo Estado em vários lugares do mundo.

    Nos Estados Unidos, a juventude criticava a Guerra do Vietnã, o racismo e a exploração econômica da sociedade americana, por meio de manifestações, barricadas, ocupações.

    Na França, maio de 1968 entrou para a história pelos protestos estudantis que pediam reforma da educação. No México, estudantes pediam direitos civis e fim da repressão policial. Centenas foram mortos no “Massacre de Tlatelolco”, às vésperas da Olimpíada.

    10. Depois de Edson, mais de 200 jovens foram assassinados durante a ditadura

    Apenas entre as vítimas oficiais do Estado brasileiro, pelo menos 220 dos 434 mortos, “sumidos” e violentados até a morte, tinham menos de 30 anos.

    30% das vítimas da ditadura não tinham ou tinham muito pouco envolvimento político, como Edson Luís.

    Fonte: UBES

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    Taciano Cassimiro
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    Taciano Cassimiro (MTE 3190/PA), bacharel em Teologia e licenciado em História. Possui pós-graduações em História do Brasil, Direito Político e Eleitoral, Jornalismo Político, História da América, Ciências Políticas, Relações Internacionais e Comunicação em Crises Internacionais, além de um MBA Executivo em Gestão Estratégica de Publicidade e Propaganda. Atualmente, especializa-se em Relações Públicas e Assessoria de Imprensa, e cursa pós-graduações em jornalismo investigativo; Direito Civil e Direito Processual Civil; Ciências Criminais. Filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Pará (SINJOR) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), é natural de Maceió (AL) e adotou o Pará como lar. Fora do jornalismo e da análise política, divide sua paixão pelo futebol entre o CSA, o Vasco da Gama e o Paysandu.

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