Quando a subserviência política se sobressói ao respeito à soberania nacional e às instituições do país.
Na convenção, Milei se referiu a Lula como “presidiário”, afirmou que o mandatário brasileiro lidera uma campanha “anti-Argentina” e chamou Alexandre de Moraes, ministro do STF, de “lixo careca”. Diante das falas do presidente argentino, o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, reagiu: “Milei não representa o sentimento do povo argentino”.
Nessa história, o que nos deixa horrorizados é ver tais declarações partindo de um presidente, no país de outro presidente e em um contexto de pré-campanha presidencial — no caso, de Flávio Bolsonaro. Para espanto maior, Milei foi aplaudido por ditos patriotas.
Meu ponto aqui não é Direita ou Esquerda. Mas a extrema-direita representada no bolsonarismo é uma ameaça. A extrema-direita é uma ameaça no mundo. Ameaça as soberanias nacionais, a democracia e as instituições. Eles se empenham em promover e espalhar o caos, o desrespeito e os ataques pessoais; vide Milei e o caso da Convenção do PL.
Finalmente, o episódio protagonizado pelo presidente argentino Javier Milei merece o repúdio de todos que defendem o embate político no campo das ideias. Na Argentina, o cantor João Bueno escreveu “Perderam as Malvinas, perderam o Diego e perderam a Copa”, e o resultado foram ameaças, expulsão e o cancelamento do décimo Festival de São João em Buenos Aires. Já no Brasil, a gente aplaude quem nos ataca e desrespeita nosso país e nossas instituições.

