Além dos estereótipos do romance com D. Pedro I, a visão da historiadora Mary Del Priore revela uma mulher de visão política, influência social e autonomia no século XIX.
Domitila de Castro Canto e Melo, eternizada como a Marquesa de Santos, é frequentemente lembrada apenas como a amante mais famosa do imperador D. Pedro I. No entanto, ao analisar sua trajetória sob a perspectiva historiográfica de Mary Del Priore, surge a figura de uma mulher muito à frente de seu tempo, que soube navegar pelas complexas teias do poder no Primeiro Reinado.
Longe de ser uma figura passiva na Corte, Domitila utilizou sua proximidade com o centro do poder para exercer forte influência política, mediar favores e consolidar seu próprio patrimônio e prestígio social. Em uma sociedade profundamente patriarcal, ela desafiou as convenções da época ao gerir negócios, articular alianças estratégicas e manter sua relevância mesmo após o término de sua relação com o imperador, tornando-se uma importante benemérita em São Paulo em seus anos posteriores.
