Juliana Simas para o advogado que escolheu o Compliance.
Há advogados que aprendem a defender.
O advogado de Compliance aprende, também, a prevenir.
Ele conhece a lei,
mas sabe que nem tudo o que é legal é ético.
E que, às vezes, cumprir a norma é apenas o começo.
Ele não espera o problema chegar à sua mesa.
Procura os sinais antes que o risco vire crise,
a falha antes que vire processo,
o desvio antes que vire cultura.
É um advogado diferente.
Porque precisa conhecer contratos,
mas também pessoas.
Precisa interpretar normas,
mas também comportamentos.
Precisa saber investigar sem condenar,
questionar sem acusar,
ouvir sem tomar partido
e orientar sem perder a independência.
É chamado quando alguma coisa já deu errado,
mas seu melhor trabalho acontece quando nada dá errado.
Talvez por isso seja uma advocacia tão peculiar.
Continuamos sendo advogados.
Carregamos conosco a técnica, o senso crítico, a argumentação e o respeito às regras.
Mas aprendemos a trocar, muitas vezes, o litígio pelo diálogo;
a reação pela prevenção;
a defesa de uma posição pela proteção de uma cultura.
No Compliance, descobrimos que não basta conhecer as leis, é preciso ajudar a construir ambientes em que fazer o certo seja parte da forma de jogar.
Minha mensagem aos colegas que escolheram esse caminho, que não vivem apenas de processos, pareceres e tribunais.
Vivem também de riscos, controles, investigações, escuta, cultura, governança e, sobretudo, integridade.
Porque há muitas formas de exercer a advocacia.
E prevenir também é uma forma de defender!
Texto Juliana Simas é Consultora de Carreira e especialista em Recursos Humanos. Fundadora da Unic PRO Consultoria, atua com estratégias de RH para empresas, atração de talentos e desenvolvimento profissional, conectando pessoas e negócios.
