Quanto mais tempo de OAB o advogado possui, mais difícil parece ser conseguir uma vaga em muitos grandes escritórios.
Não porque lhe falte capacidade. Pelo contrário: experiência custa. E muitos escritórios preferem contratar advogados juniores, não necessariamente porque sejam mais preparados, mas porque aceitam salários menores, jornadas exaustivas e metas cada vez mais agressivas.
O profissional com 10, 15 ou 20 anos de advocacia passa a enfrentar um preconceito silencioso: é considerado “caro demais”, “experiente demais” ou “fora do perfil”.
O resultado? Perdemos profissionais altamente qualificados, que acumularam anos de prática, audiências, negociações, sustentações orais e solução de conflitos, enquanto o mercado insiste em valorizar o menor custo em detrimento da experiência.
Isso não significa que advogados juniores não mereçam oportunidades. Merecem, e muitas. O problema é quando a substituição da experiência pela mão de obra mais barata se torna um modelo de negócios.
A advocacia não pode tratar conhecimento como despesa. Experiência reduz riscos, melhora estratégias, evita erros e entrega resultados.
Talvez esteja na hora de o mercado deixar de perguntar há quantos anos alguém tem OAB apenas para definir quanto pode economizar, e começar a perguntar quanto essa experiência pode agregar ao cliente.
Porque advocacia não é custo. É valor.
Autora
Cristiane Alves – Advogada formada em 2010, possui consistente trajetória na atuação consultiva e contenciosa, com foco em Direito Trabalhista, Civil, Empresarial e Direitos Humanos. Sua prática abrange a elaboração de peças processuais, acompanhamento de demandas e desenvolvimento de estratégias jurídicas fundamentadas. Destaca-se pelo perfil analítico, facilidade na interpretação da legislação, análise de riscos e busca por soluções eficientes. Suas principais competências incluem rigor na redação técnica, forte capacidade argumentativa, organização e responsabilidade profissional.
